FUTURO DO EMPREGO

Câmara debate fim da escala 6x1; empresários criticam pressa e pedem transição

Imagem ilustrativa da Câmara dos Deputados, símbolo do debate sobre a jornada de trabalho e escala 6x1.
Fim da escala 6x1: Câmara cria comissão para debater mudanças na jornada de trabalho.

Representantes de confederações alertam para impactos econômicos em ano eleitoral e exigem planejamento cuidadoso para a redução da jornada de trabalho. Governo defende implementação imediata.

A Câmara dos Deputados debate, nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que busca reduzir a jornada de trabalho e encerrar a escala 6x1. No entanto, representantes de confederações de empregadores de diversos setores da economia manifestaram forte oposição à celeridade da discussão em ano eleitoral e exigiram um período de transição para a medida. Para os empresários, a alteração imediata pode gerar impactos severos na economia, na operação de serviços essenciais como escolas e hospitais, e no próprio mercado de trabalho, ameaçando a dignidade de trabalhadores e a sustentabilidade de empresas em todo o país.

A comissão especial da Câmara dos Deputados, focada na PEC que propõe a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1, ouviu as confederações empresariais. A voz dos trabalhadores será apresentada em audiência marcada para a terça-feira, 19 de maio de 2026.

Alexandre Herculano Coelho de Souza Furlan, diretor da Confederação Nacional da Indústria (CNI), esclareceu: “Nunca fomos contra a discussão do tema. Apenas firmamos um posicionamento entendendo que a discussão ficou açodada em período eleitoral e que ela deveria amadurecer.”

Luciana Diniz Rodrigues, advogada da Diretoria Jurídica e Sindical da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), defendeu um “debate efetivo” sobre o assunto. “É fundamental que se estimule um debate aprofundado, não em um período tão corrido e urgente como é o eleitoral”, complementou.

Para Rodrigo Hugueney do Amaral Mello, coordenador Trabalhista da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), “é imperativo ter um olhar mais amplo, uma discussão mais apurada e aprofundada sobre essa questão, para evitar decisões tomadas no calor da emoção de um ano eleitoral.”

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) é vista como prioridade pelo governo Lula para o ano de 2026, com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), empenhado em sua aprovação.

Período de Transição: Um Alerta Econômico

Além de adiar o debate, os porta-vozes do setor empresarial solicitaram um período de transição gradual para a implementação da medida. Eles justificam que absorver o impacto econômico da redução da jornada de trabalho de forma imediata é inviável e coloca em risco a saúde financeira das empresas e a manutenção de empregos.

“Precisamos de uma certa gradação na implantação, um planejamento cuidadoso”, ressaltou Genildo Lins de Albuquerque Neto, diretor-executivo da Confederação Nacional de Saúde, Hospitais, Estabelecimentos e Serviços (CNSaúde).

Elizabeth Regina Nunes Guedes, presidente da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen), alertou que os parlamentares devem planejar a redução da jornada, sob o risco de comprometer o funcionamento das escolas em todo o país e, consequentemente, o futuro de milhões de estudantes. “Discutir a redução da carga de trabalho, mantendo salários e sem um planejamento objetivo, é fazer poesia, não política trabalhista. É fundamental garantir o funcionamento de nossas escolas. Votar uma medida dessa magnitude de repente, em um ano eleitoral, seria um ato impensado”, argumentou Guedes.

Contrário à proposta de transição, o governo defende a implantação imediata das regras da PEC, uma vez aprovado o texto. Ministros argumentam que, ao aprovar benefícios ao setor empresarial no Congresso, o tema da transição não é levantado.

“Defendemos o debate, não somos contra, mas ele não pode ser conduzido de maneira açodada, como se observa nos últimos tempos. Uma mudança dessa magnitude não pode ocorrer da noite para o dia”, pontuou Bruno da Silva Vasconcelos, coordenador de Relações Trabalhistas e Sindicais do Sistema OCB.

Diálogo e Flexibilidade: O Poder das Negociações Coletivas

As confederações reforçaram a importância do fortalecimento das negociações coletivas – um diálogo entre sindicatos de trabalhadores e entidades patronais – para debater e ajustar a jornada de trabalho conforme as especificidades de cada setor. Esta abordagem visa proteger a diversidade do mercado de trabalho e as necessidades regionais.

Eles defendem que este é o caminho mais eficaz para preservar as particularidades setoriais, garantindo adaptações justas e viáveis.

Karina Zuanazzi Negreli, assessora jurídica da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), destacou: “Entendemos que a negociação coletiva é o meio adequado para a customização necessária, para que a sustentabilidade das medidas seja alcançada. Esperamos que essa centralidade das negociações coletivas seja mantida, que exista uma transição segura e que essa discussão seja feita de maneira aprofundada.”

Maria Rita Catonio Barbosa, gerente Jurídica Trabalhista da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Furjan), enfatizou que o fortalecimento das negociações coletivas é um sinal de respeito às particularidades de cada região e setor produtivo. “É o caminho para preservar as empresas e, crucialmente, para que não percamos postos de trabalho”, concluiu.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário