SAÚDE CRÍTICA
Câmara de Natal alerta para falhas e retrocesso na saúde mental
Vereador Daniel Valença lidera debate que expõe fechamento de CAPS e impacto da lógica manicomial em usuários.
A saúde mental em Natal enfrenta desafios crescentes, tema de intenso debate na Câmara Municipal nesta sexta-feira, 8 de maio de 2026. A audiência pública, proposta pelo vereador Daniel Valença (PT), expôs graves falhas na rede de atenção psicossocial e acendeu o alerta contra o retrocesso a uma lógica manicomial, que ameaça a dignidade e a recuperação de milhares de usuários na capital potiguar. O encontro uniu representantes da saúde pública, usuários dos serviços e movimentos sociais na defesa de um cuidado humanizado e em liberdade.
Entre as preocupações centrais, o debate destacou o fechamento do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Leste III e a redução do funcionamento do Centro de Convivência. Essas medidas comprometem diretamente o acesso a serviços essenciais, aprofundando a vulnerabilidade de pessoas que dependem do apoio psicossocial para manter sua autonomia e bem-estar.
O vereador Daniel Valença criticou veementemente o modelo de atendimento que, a seu ver, ainda se apega a práticas do passado. Ele ressaltou que, apesar dos avanços da reforma psiquiátrica, a lógica manicomial persiste em diversas regiões do país, impactando negativamente a vida de pacientes e suas famílias.
Representantes da rede pública de Natal defenderam a urgência de ampliar a atenção psicossocial e a implementação de políticas públicas que priorizem o cuidado humanizado, a prevenção de crises e a inclusão social. A voz dos usuários ecoou no plenário, trazendo a realidade do preconceito e da dificuldade de acesso a um atendimento acolhedor.
Katiane Silva, do CAPS Leste II, enfatizou que pessoas com transtornos mentais e indivíduos autistas enfrentam discriminação diária, o que agrava seu sofrimento e dificulta a busca por ajuda. A invisibilidade dessas lutas ressalta a necessidade de uma sociedade mais empática e de um sistema de saúde mais robusto e acessível.
Cristiane Rego, representante do Conselho Municipal de Saúde, reforçou a importância crucial da atenção primária para evitar a sobrecarga de hospitais e serviços especializados. Para ela, o cuidado em saúde mental deve começar antes do agravamento dos quadros, e o tratamento não pode se limitar à medicação. Atividades como arte, dança, música e exercícios físicos são pilares fundamentais no processo terapêutico, estimulando a autonomia e a reinserção social dos pacientes.
A audiência também abordou novas demandas da sociedade, como o alarmante crescimento de casos de dependência em jogos online e apostas virtuais. Essa questão, que emerge como um grave problema de saúde pública, exige respostas rápidas e eficazes dos órgãos competentes.
A secretária adjunta de Saúde do Rio Grande do Norte, Leidiane Queiroz, anunciou que o estado, em parceria com o Ministério da Saúde, está implantando um projeto piloto para expandir o atendimento especializado. Treze unidades do CAPS do Rio Grande do Norte receberão qualificação para oferecer suporte virtual em áreas como a dependência em apostas online e o acolhimento a mulheres vítimas de violência, marcando um passo importante para a adaptação dos serviços de saúde mental às realidades contemporâneas.
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