JORNADA MAIS JUSTA
Câmara avança para o fim da jornada 6x1, vislumbrando unanimidade
Proposta de Emenda à Constituição (PEC) deve ser votada na Câmara em maio e no Senado antes de julho. Medida impactará milhões de trabalhadores.
O Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou nesta quinta-feira, 07 de maio de 2026, ver um ambiente “muito favorável” para a aprovação do fim da jornada 6x1, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que promete redefinir as condições de trabalho para milhões de brasileiros. A decisão política de avançar com a proposta, independentemente de alinhamentos partidários, busca ampla convergência para melhorar a dignidade de quase 30 milhões de trabalhadores, com a expectativa de votação na Câmara ainda em maio e no Senado antes do recesso legislativo de julho.
Em uma audiência pública na Paraíba, Motta afirmou que a proposta pode alcançar uma vasta convergência e até mesmo unanimidade na Câmara. "Sinto dentro da Câmara um ambiente muito favorável para a aprovação dessa PEC, independente da vinculação partidária, de ser partido de Governo ou oposição. Assim como foi o imposto de renda, caminhamos para um projeto que tenha ampla convergência. Quem sabe até uma unanimidade dentro da Câmara", disse o parlamentar, que busca garantir uma votação ágil e consensual.
O Presidente da Câmara dos Deputados expressou a expectativa de que o ciclo de audiências públicas pelos Estados brasileiros seja concluído até o fim deste mês. Logo após a saída da comissão especial, a proposta deve ser votada no Plenário, ainda em maio. Para o Senado, a expectativa é que a votação ocorra antes do recesso legislativo de julho. Segundo Motta, a iniciativa pode ser resolvida antes das próximas eleições, reforçando o compromisso com a celeridade do processo.
DEBATE HISTÓRICO E IMPACTO SOCIAL
Motta enfatizou que o debate sobre o fim da jornada 6x1 é um marco histórico, desvinculado de interesses eleitorais. Ele revelou ter conversado com Lula, que, segundo o Presidente da República, discutia o tema desde os tempos em que presidia o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. "Para não dizer que estamos atropelando, pelo contrário. O mês de maio será intenso de audiências para que todos os setores possam falar, não apenas os trabalhadores, mas o setor produtivo, para que a decisão seja tomada da maneira mais equilibrada", afirmou.
Sobre as críticas à redução da jornada, o congressista ressaltou que é comum, em mudanças trabalhistas, surgirem "vozes céticas" que preveem impactos negativos para a economia. "Sempre há uma falsa narrativa de que as mudanças não são suportáveis. Não estou dizendo que os setores não devam ser ouvidos. Precisamos ouvir os setores. Também não queremos impactar inteiramente ninguém, mas há uma decisão política de caminhar nesse sentido. Não votar não está em questão", reforçou Motta, indicando a firmeza na condução da proposta.
RODADA DE AUDIÊNCIAS E MILHÕES DE AFETADOS
A Paraíba sediou a primeira audiência pública estadual da comissão especial que debate o fim da escala 6x1. A escolha do local, um pedido de Motta, que é natural do Estado, visa vincular seu nome à eventual aprovação do projeto. O Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, também participou do debate, sublinhando a importância da pauta.
De acordo com o presidente da comissão especial na Câmara, o deputado Alencar Santana (PT-SP), além da Paraíba, estão previstos debates em Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul. Outros Estados, contudo, podem ser incluídos durante as discussões do plano de trabalho do colegiado, garantindo a amplitude da discussão.
A escala 6x1 afeta 33,2% dos empregos no Brasil, conforme estudo do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Isso representa quase 30 milhões de pessoas que cumprem 40 horas semanais em 5 dias de trabalho, e cerca de 20 milhões que trabalham 6 dias por semana, com 44 ou mais horas de jornada semanal. A redução da jornada busca trazer um alívio significativo e uma melhor qualidade de vida para milhões de famílias, reequilibrando a balança entre trabalho e bem-estar social.
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