TRABALHO E DIGNIDADE

Câmara avança em redução de jornada para 40 horas semanais

Câmara avança em redução de jornada para 40 horas semanais

Hugo Motta pactua projeto do Executivo para adequar fim do 6x1. Negociações seguem.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, acordou o avanço de um projeto de lei enviado pelo Executivo que aborda o fim da jornada de trabalho 6x1. A decisão, tomada nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, visa estabelecer “adequações” à substancial mudança prevista em uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em análise, que definirá as regras gerais para a nova jornada. Este movimento legislativo é crucial, pois impacta diretamente a dignidade e a qualidade de vida de milhões de trabalhadores brasileiros, ao buscar reduzir o tempo de dedicação ao trabalho e oferecer mais momentos de descanso e convívio familiar.

A pauta foi o ponto central de uma reunião estratégica convocada por Hugo Motta nesta manhã. O encontro contou com a participação de ministros e da cúpula da comissão especial responsável por analisar a PEC. Segundo o relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), o projeto do Executivo focará em casos específicos e categorias profissionais que demandam jornadas diferenciadas. "A PEC trará a regra geral, enquanto o projeto de lei abordará os casos específicos e as adequações necessárias", explicou Leo Prates à CNN Brasil.

Inicialmente, Hugo Motta havia priorizado a tramitação das PECs já existentes na Casa, descartando o projeto do Planalto. Contudo, a estratégia mudou. A intenção do presidente da Câmara é votar a PEC no plenário até o final de maio. Isso significa que a PEC deve avançar primeiro, com o projeto do governo tendo seu andamento e debate a seguir.

"Fortalecemos também o papel das convenções coletivas para que elas possam lidar com as particularidades de cada setor. Também ficou claro que o projeto de lei do Executivo será essencial para adaptarmos a legislação às alterações que faremos em nossa Constituição", declarou Hugo Motta em vídeo após a reunião desta quarta-feira, sublinhando a importância da articulação entre os poderes.

A PEC em discussão pretende reduzir a jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas, garantindo dois dias de folga e sem qualquer redução salarial para os trabalhadores. As negociações sobre possíveis regras de transição, no entanto, ainda estão em andamento, gerando debates acalorados entre diferentes esferas.

O governo defende a implementação imediata das mudanças e demonstra resistência a regras de transição. A análise do projeto de lei representa, assim, uma nova frente para discussões e articulações políticas. Por outro lado, representantes do setor produtivo esperam uma transição mais alongada e buscam compensações financeiras, como contrapartida aos possíveis impactos econômicos que a medida poderia gerar em suas operações.

O Executivo, contudo, opõe-se firmemente a qualquer forma de compensação ou incentivo. Na terça-feira, 12 de maio de 2026, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, expressou em audiência na comissão especial ser "radicalmente" contra compensações, sugerindo alternativas como a renegociação de dívidas empresariais em vez de subsídios diretos.

Além de Leo Prates, a reunião desta manhã contou com a presença de figuras importantes como o presidente da comissão especial, Alencar Santana (PT-SP); o autor da PEC, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG); o deputado Luiz Gastão (PSD-CE), que já foi relator da proposta; e os ministros Luiz Marinho (Trabalho e Emprego); José Guimarães (Relações Institucionais) e Bruno Moretti (Planejamento), reforçando o peso político da discussão.

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