ALÍVIO FINANCEIRO JÁ

Câmara aprova suspensão de dívidas rurais por El Niño: 36 meses de alívio

Moedas de real simbolizam o impacto financeiro da suspensão de dívidas rurais devido ao El Niño.
Dinheiro em moedas de real representa o alívio financeiro para produtores rurais.

Comissão da Câmara aprova texto que beneficia produtores rurais atingidos por secas ou chuvas extremas com adiamento de 36 meses no pagamento de financiamentos.

Produtores rurais de regiões afetadas pelo fenômeno El Niño podem ter um importante alívio financeiro, após a aprovação de um Projeto de Lei que suspende por 36 meses a cobrança de financiamentos e empréstimos agrícolas. A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural deu este passo crucial em 12 de maio de 2026, buscando preservar a oferta de alimentos e garantir a estabilidade econômica do setor. A medida, que representa uma resposta direta à urgência de proteger o sustento de milhares de famílias, ganhou destaque nesta sábado, 16 de maio de 2026.

Pela proposta, os pagamentos de empréstimos dos seguintes programas de crédito rural serão suspensos:

  • Programa de Incentivo à Irrigação e à Produção em Ambiente Protegido (Moderinfra);
  • Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária (Inovagro);
  • Programa de desenvolvimento cooperativo para agregação de valor à produção agropecuária (Prodecoop);
  • Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf);
  • Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp);
  • Programa de Capitalização das Cooperativas de Produção Agropecuária (BNDES – Procap-Agro);
  • BNDES – Agro;
  • BB – Investe Agro;
  • Financiamentos de Custeio Pecuário.

A proposta estabelece que o pagamento desses financiamentos deverá ser retomado 12 meses após o fim do período de suspensão, dividido em 3 parcelas anuais.

A iniciativa ganhou um alcance maior graças ao substitutivo apresentado pelo relator, deputado Coronel Meira (PL-PE). Sua emenda ampliou o projeto original (PL 2.062 de 2024), do deputado Leo Prates (Republicanos-BA), que inicialmente destinava o benefício apenas aos produtores da região que abrange os Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia (Matopiba). O novo texto estende essa importante medida a todos os produtores de Estados afetados por estiagem ou chuvas extremas em qualquer parte do país.

O relator enfatizou a necessidade da medida como forma de evitar colapsos na oferta de alimentos e sustentar a economia agrícola. “É um instrumento transitório, direcionado e proporcional à gravidade da situação enfrentada”, ressaltou o deputado, destacando o caráter estratégico da suspensão.

A urgência da ação é corroborada por dados climáticos. Um boletim da Noaa (Agência Nacional Oceânica e Atmosférica), dos EUA, divulgado em 13 de março, apontou uma probabilidade de 62% de o fenômeno El Niño se manifestar no trimestre de junho a agosto deste ano. A partir de agosto, essa chance se eleva ainda mais, superando 80% até o fim de 2026. Este cenário reforça a necessidade de medidas preventivas e de apoio aos agricultores.

Importante destacar que esta é apenas uma etapa inicial. Para que o projeto de lei se torne uma realidade para os produtores, ele ainda precisa ser analisado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Somente após a aprovação em todas essas instâncias da Câmara dos Deputados e, posteriormente, no Senado Federal, é que o texto poderá virar lei.

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