FINANÇAS PÚBLICAS

Caixa tem queda de 34,4% no lucro do 1º trimestre de 2026

Fachada da agência da Caixa Econômica Federal
Caixa Econômica Federal fachada banco — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Banco estatal registrou R$ 3,5 bilhões, impactado por provisões para inadimplência. Resultado afeta investimentos sociais.

A Caixa Econômica Federal registrou uma queda de 34,4% em seu lucro líquido recorrente no primeiro trimestre de 2026, atingindo R$ 3,5 bilhões. O relatório da administração, divulgado nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, aponta que esta retração é resultado, em grande parte, do aumento expressivo das provisões para perdas com inadimplência. Este cenário levanta preocupações sobre a saúde financeira de um dos maiores bancos públicos do país, com possíveis impactos diretos na capacidade de fomento a habitação, infraestrutura e programas sociais que beneficiam milhões de brasileiros.

Contudo, em uma comparação trimestral, o lucro demonstrou um avanço de 25,4% em relação aos três últimos meses de 2025, conforme detalhado pelo banco estatal.

A carteira de crédito da Caixa encerrou o primeiro trimestre de 2026 com um volume robusto de R$ 1,41 trilhão, marcando um crescimento de 11,3% comparado ao ano anterior. Esse avanço foi impulsionado principalmente pelos financiamentos imobiliários, que tiveram uma alta de 13,9%, e pelo setor do agronegócio, com expansão de 2,2%.

No entanto, o índice de inadimplência para dívidas com mais de 90 dias atingiu 3,71%, representando um aumento de 1,22 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse crescimento é um alerta para a dificuldade de muitos cidadãos e empresas em honrar seus compromissos financeiros.

Para conter os impactos dessa inadimplência crescente, a provisão para perdas aumentou significativamente, chegando a R$ 6,51 bilhões, um salto de 211,5% em comparação anual. Esse esforço em se resguardar pressionou diretamente o lucro da instituição.

O Índice de Basileia, que avalia a solidez financeira dos bancos em absorver perdas, apresentou uma leve queda, situando-se em 15,1% neste trimestre, contra os 15,3% registrados no primeiro trimestre de 2025.

A margem financeira do banco, por sua vez, registrou R$ 18,3 bilhões no primeiro trimestre, um crescimento de 11,8% comparado a 2025 e de 4,2% em relação ao trimestre imediatamente anterior. Esse resultado positivo foi alavancado pelo incremento das receitas geradas por operações de crédito.

No segmento de crédito comercial, a carteira de pessoas físicas totalizou R$ 154,9 bilhões, uma alta de 10,4%. O crédito consignado foi o principal motor desse crescimento, representando 73,7% do total, com um saldo de R$ 114,2 bilhões.

A carteira de pessoas jurídicas também apresentou expansão, somando R$ 114,3 bilhões, um aumento de 8,8%. A Caixa ainda ressaltou sua forte atuação no crédito ao trabalhador, cuja carteira atingiu R$ 5,1 bilhões.

* Com informações da agência de notícias Reuters

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