RENEGOCIAÇÃO DE DÍVIDAS

Caixa renegocia R$ 820 milhões no Desenrola Brasil

Carlos Vieira, presidente da Caixa, em coletiva, falando sobre o programa Desenrola Brasil e a renegociação de dívidas.
O presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, durante coletiva de imprensa em São Paulo, onde anunciou a renegociação de R$ 820 milhões em dívidas pelo Desenrola Brasil.

Carlos Vieira, presidente da Caixa Econômica Federal, informa que o FGTS será usado para abater débitos a partir de 25 de maio de 2026. Programa Desenrola 2.0 atinge quase R$ 1 bilhão em todo o país, oferecendo descontos de até 90% para limpar nomes e recuperar o crédito.

A Caixa Econômica Federal já renegociou impressionantes R$ 820 milhões em dívidas através da nova fase do programa Desenrola Brasil. A informação foi divulgada pelo presidente da instituição, Carlos Vieira, nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, destacando o impacto da iniciativa do governo federal, lançada em 4 de maio de 2026, para resgatar a dignidade financeira de milhões de brasileiros. O programa visa oferecer um alívio significativo a famílias, estudantes e pequenos empreendedores, permitindo a quitação de débitos, a limpeza do nome e a retomada do acesso ao crédito essencial.

Com duração de 90 dias, esta nova etapa do Desenrola Brasil promete descontos de até 90%, juros reduzidos e a inovadora possibilidade de utilizar o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para abater as dívidas. A expectativa é que essa ferramenta traga um novo fôlego para aqueles que buscam reequilibrar suas finanças.

O volume de renegociações impressiona. Nesta semana, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, já havia adiantado que o programa Desenrola 2.0 se aproximava da marca de R$ 1 bilhão em débitos renegociados em todo o país, reforçando a urgência e a eficácia da medida.

Durante a entrevista coletiva, concedida na manhã de 15 de maio de 2026, para apresentar o balanço trimestral do banco, Carlos Vieira apontou que, embora o uso do FGTS ainda não tenha sido amplamente acionado nas negociações com a Caixa, a diretoria da instituição prevê que a modalidade de uso do fundo para esta finalidade comece a partir de 25 de maio de 2026. Esta é uma oportunidade real para milhares de trabalhadores.

Caixa Tem e Ataques Cibernéticos: Risco e Investimento em Segurança

Ao detalhar o balanço da instituição, Carlos Vieira revelou que a Caixa enfrentou um prejuízo de cerca de R$ 20 milhões no ano passado, relacionado a fraudes no aplicativo Caixa Tem, resultantes de ataques cibernéticos. Em resposta, o banco tem fortalecido seus investimentos em tecnologia, com uma previsão de destinar R$ 5,9 bilhões somente neste ano. “Nós estamos agora com praticamente zero de ataques no Caixa Tem”, afirmou Vieira, evidenciando o sucesso das medidas de segurança adotadas para proteger os dados e o dinheiro dos usuários.

Inadimplência: Desafios e Crescimento no Crédito Imobiliário

A Caixa Econômica Federal registrou um lucro líquido recorrente de R$ 3,5 bilhões no primeiro trimestre do ano, uma queda de 34,4% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Este resultado, conforme o balanço divulgado na noite de quinta-feira, 14 de maio de 2026, reflete um aumento significativo nas provisões para perdas com crédito, em linha com as novas regras regulatórias impostas pelo Banco Central (BC) para a cobertura de risco de inadimplência.

Apesar da retração no lucro, a Caixa demonstrou resiliência, mantendo o crescimento de sua carteira de crédito, impulsionada principalmente pelo financiamento imobiliário, setor onde a instituição permanece líder nacional. A carteira de crédito totalizou R$ 1,4 trilhão.

A taxa de inadimplência encerrou o trimestre em 3,71%. A diretoria do banco expressou tranquilidade quanto aos níveis de inadimplência nas carteiras de crédito imobiliário, comercial para pessoa física e jurídica. Contudo, o setor do agronegócio ainda gera cautela e preocupação.

“Nós temos uma expectativa de que, ainda este ano, tenhamos impactos na nossa provisão relacionados ao agro”, declarou Henriete Sartori, vice-presidente de Riscos da Caixa. Ela complementou que, embora o cenário não seja simples, já se observa um “arrefecimento da curva de crescimento” da inadimplência. Atualmente, o agronegócio representa 5% da carteira total da Caixa, um segmento estratégico que merece atenção redobrada da instituição.

Fonte: Agência Brasil

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