CÃES NOS HOSPITAIS

Cães de apoio transformam rotina em hospitais infantis americanos, reduzindo estresse e auxiliando na recuperação

Um cão de serviço observa uma paciente infantil em um hospital.
Grover, o cão de serviço do Hospital Infantil de Cincinnati (à esquerda), observa a paciente Kira Hodge nos Estúdios Seacrest do hospital.

Animais de serviço atuam em tempo integral, oferecendo conforto e auxiliando no bem-estar físico e emocional de crianças durante tratamentos e internações.

Um menino de 5 anos, que passou mais de um mês sem sair de casa e estava sob cuidados médicos em Cincinnati, nos Estados Unidos, sentiu-se motivado a se levantar. Preso a fios e tubos, ele conseguiu brincar com Hadley, uma labradora de apoio, no pátio de um hospital infantil. Sua alegria ao ver a cadela buscar a bola, celebrada pelos cuidadores, reflete uma tendência crescente: hospitais pediátricos americanos têm integrado cães de serviço à rotina de atendimento para reduzir o estresse e impulsionar a recuperação de crianças.

Esses animais, diferentemente de cães de terapia que fazem visitas pontuais, são treinados para atuar diariamente ao lado das equipes médicas. Sua presença visa ajudar as crianças a lidar com procedimentos invasivos, longos períodos de internação e tratamentos desgastantes, promovendo benefícios físicos e emocionais comprovados por pesquisas. A iniciativa, que tem visto um crescimento significativo, busca trazer um senso de normalidade e conforto a um ambiente inerentemente estressante.

Kerri Rodriguez, diretora do Laboratório de Vínculo Humano-Animal da Universidade do Arizona, explica que interações breves com cães de assistência podem diminuir indicadores de estresse, como pressão arterial e níveis de cortisol, além de melhorar o bem-estar geral. "Eles podem proporcionar um pouco de normalidade e conforto em um ambiente muito estressante", afirma a pesquisadora.

A expansão desses programas nos Estados Unidos é notável, embora não haja um levantamento oficial sobre o número exato de cães em atuação. Especialistas observam uma aceleração na adoção dessa prática, com um aumento expressivo na participação em encontros anuais dedicados a cães de apoio hospitalar. Instituições como o Mount Sinai Kravis Children's Hospital em Nova York, o Norton Children's Hospital em Kentucky e o St. Louis Children's Hospital já contam com esses animais há anos, e novos programas, como o do Johns Hopkins Children's Center com seus dois primeiros cães de apoio apresentados em março, continuam a surgir.

Os cães de serviço são geralmente providos por organizações sem fins lucrativos especializadas em treinamento. Embora os hospitais não incorram em custos de adoção, eles são responsáveis pelas despesas de manutenção, alimentação e cuidados veterinários dos animais.

Estudos recentes reforçam os efeitos positivos da terapia assistida por animais. Uma pesquisa publicada em 2022, baseada em relatos de profissionais de saúde de 17 hospitais pediátricos, indicou que os cães facilitam a criação de vínculos, oferecem conforto e tornam o ambiente hospitalar mais acolhedor para pacientes e familiares. Outro estudo, divulgado em 2021 no Journal of Pediatric Nursing, apontou melhora no controle da dor e da pressão arterial em crianças e adolescentes que interagiram com os animais.

Os cães também atuam como um incentivo para que as crianças se movimentem mais durante o processo de recuperação. Bethany Striggles, de 11 anos, que completou recentemente seu tratamento de quimioterapia para câncer ósseo, relata que brincar regularmente com Hadley pelos corredores do hospital a ajudou a se exercitar mais. "Ela me ajuda a me exercitar mais", contou a menina.

A higiene dos cães em hospitais é rigorosamente controlada, especialmente em áreas sensíveis como a ala de oncologia e doenças hematológicas. Hadley, por exemplo, passa por banhos mensais e limpezas adicionais conforme necessário, garantindo a segurança de pacientes com imunidade comprometida. Higienização das mãos antes e após o contato com os animais é obrigatória para pacientes e profissionais. Em casos de isolamento, os cães geralmente não entram nos quartos, exceto quando solicitados para conforto em situações terminais.

Além do suporte direto às crianças, os cães auxiliam as famílias a enfrentar o período de hospitalização. Aspen Franklin, de 14 anos, que trata uma doença autoimune grave, desenvolveu um forte vínculo com Hadley durante internações frequentes. Sua mãe observa que a presença da cadela também conforta os irmãos da paciente, que precisam ficar longe de seus próprios animais de estimação.

Ao final do expediente, Hadley retorna a um espaço reservado no hospital, onde um mural exibe desenhos, cartas e mensagens de crianças. Uma delas resume o impacto profundo desses animais: "Obrigada por ser minha melhor amiga."

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