SAÚDE E BEM-ESTAR
Crise de riso involuntário leva criança ao hospital em MG
Após três horas de gargalhadas sem motivo aparente, família busca socorro médico. Especialistas explicam quando o riso se torna um sinal de alerta neurológico.
Uma crise de riso involuntário que durou mais de três horas mobilizou uma família em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O episódio, que inicialmente parecia uma brincadeira entre mãe e filha, revelou-se um momento de angústia quando a menina Eduarda Barbosa, de 9 anos, perdeu a capacidade de fala e apresentou alterações no olhar, tornando-se incapaz de interromper a gargalhada.
A mãe da criança, a estudante de enfermagem Alinne Barbosa, relatou que o episódio começou enquanto realizava tarefas domésticas. Ao perceber que Eduarda mantinha o riso contínuo mesmo após o fim da interação, Alinne identificou sinais de alerta, como dilatação das pupilas, e prontamente buscou atendimento no Hospital Municipal de Contagem.
No ambiente hospitalar, a agilidade da equipe médica foi fundamental. A criança foi avaliada por pediatras e um neurologista. Embora tenha sido submetida a exames de imagem e monitoramento clínico, não houve diagnóstico de epilepsia. A equipe médica concluiu que o caso foi isolado, possivelmente desencadeado por quadros de estresse ou ansiedade, não necessitando de intervenção medicamentosa contínua.
O episódio levanta o debate sobre as crises gelásticas, uma manifestação neurológica rara caracterizada pelo riso involuntário, frequentemente associada a descargas elétricas anormais no cérebro. O Dr. Victor Hugo Castro de Sá explica que, nesses casos, o riso é mecânico e não está atrelado à sensação de alegria.
“O riso pode parecer artificial ou robótico, sem a carga emocional que normalmente associamos à felicidade”, pontua o especialista. O médico ressalta que, embora existam causas associadas a lesões como o hamartoma hipotalâmico, episódios isolados podem ocorrer e o suporte emocional após a crise é indispensável para a recuperação da criança.
Especialistas recomendam que, diante de crises que ultrapassem cinco minutos ou que venham acompanhadas de perda de consciência, o pronto-socorro deve ser acionado imediatamente para garantir a segurança e o diagnóstico preciso do paciente.
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