SETOR BUSCA AVANÇAR
Cadeia do leite do Rio Grande do Norte lança plano para aumentar competitividade
Estudo detalhado identifica gargalos e propõe nove ações prioritárias para o crescimento sustentável da produção e a redução de custos. Iniciativa visa fortalecer a indústria local e a participação no mercado nacional.
O Rio Grande do Norte deu um passo significativo para o fortalecimento da sua cadeia produtiva de leite. Na sexta-feira, 12 de junho de 2026, foi apresentado um diagnóstico detalhado do setor, acompanhado de um plano de ações focado em elevar a competitividade da atividade no Estado. A decisão de impulsionar o setor, que envolve mais de 22 mil produtores e gera cerca de 45 mil empregos, visa garantir um futuro mais próspero e sustentável para a economia rural potiguar, impactando diretamente a dignidade de milhares de famílias.
O documento, resultado de um esforço conjunto entre entidades empresariais e especialistas, foi divulgado durante o Seminário do Setor Lácteo Potiguar, realizado na Casa da Indústria, em Natal. Ele traça um panorama abrangente da produção leiteira, aponta os entraves que limitam o crescimento e sugere medidas concretas para otimizar a eficiência, baratear os custos de produção, fortalecer a indústria local e expandir a presença do Rio Grande do Norte no mercado nacional.

O seminário reuniu produtores rurais, empresários, representantes do poder público e lideranças do setor, reconhecendo a capilaridade da cadeia leiteira, presente em praticamente todos os municípios potiguares. Na abertura, Roberto Serquiz, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), enfatizou a necessidade de converter o potencial produtivo em uma vantagem competitiva duradoura. "O Rio Grande do Norte tem no leite uma vocação e cabe a todos vocês transformá-la em uma vantagem competitiva", declarou, ressaltando a convergência de esforços para definir os caminhos do crescimento setorial.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Norte (Sindleite-RN), Túlio Veras, destacou o impacto econômico e social da atividade. Ele ressaltou que a cadeia envolve mais de 22 mil produtores e é responsável por aproximadamente 45 mil empregos diretos e indiretos. "Precisamos ser mais eficientes" afirmou, enfatizando a busca pela modernização das propriedades rurais e das indústrias de beneficiamento para avançar na competitividade.
Guilherme Saldanha, secretário estadual de Agricultura, Pecuária e Pesca, representando a governadora Fátima Bezerra, reforçou a importância estratégica da atividade para a economia rural, presente nos 167 municípios do Estado. A produção de leite no Rio Grande do Norte vem atravessando um ciclo de expansão, com um crescimento acumulado de 35% desde 2020, atingindo 394,5 milhões de litros em 2024, segundo dados do IBGE. O valor bruto da produção quase dobrou, chegando a R$ 981 milhões no mesmo período. Em 2025, a produção diária ultrapassou a marca de 1 milhão de litros.

Airton Spies, doutor em Economia dos Recursos Naturais, responsável pela análise técnica do diagnóstico, observou que o setor passa por uma transformação estrutural expressiva. Contudo, alertou que a redução do "gap de competitividade" é o principal desafio. "O nosso leite ainda é mais caro do que o produzido em outros lugares do mundo", apontou, ressaltando a necessidade de baratear os custos para competir em mercados cada vez mais integrados. O Rio Grande do Norte ocupa a 17ª posição entre os estados produtores do país.
O estudo aponta que há espaço para crescimento sem ampliação imediata da capacidade industrial, visto que parte das indústrias opera com capacidade ociosa. A expansão da produção local também diminuiria a dependência de leite de outros estados. O plano de avanço industrial, composto por nove ações prioritárias, inclui a ampliação da assistência técnica, investimentos em genética animal e irrigação, modernização das propriedades com equipamentos e sistemas mecanizados, melhoria da infraestrutura logística, e maior adoção de tecnologias. Medidas para formalizar a atividade, fortalecer a sucessão familiar e estimular modelos produtivos tecnificados também foram recomendadas. A iniciativa busca garantir que o recente crescimento se traduza em ganhos permanentes de eficiência e competitividade.
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