SAÚDE MENTAL EM FOCO

Burnout muda regras trabalhistas no Brasil; riscos psicossociais são incluídos na NR-1

Profissional em ambiente de trabalho com expressão de estresse.
Transtornos mentais e comportamentais como ansiedade e depressão motivaram a atualização das normas.

A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) do Ministério do Trabalho e Emprego passa a considerar riscos psicossociais na gestão de segurança. Mudança reflete aumento expressivo de afastamentos por transtornos mentais e comportamentais no país.

{"blocks":[{"key":"2v52c","text":"O Ministério do Trabalho e Emprego decidiu, nesta segunda-feira, 25/05/2026, incluir os riscos psicossociais como fatores oficiais a serem identificados, monitorados e administrados pelas empresas. Essa decisão, impulsionada pelo alarmante aumento de afastamentos por transtornos mentais e comportamentais, visa proteger a saúde emocional dos trabalhadores brasileiros e sua dignidade, ao reconhecer o impacto direto do ambiente de trabalho no bem-estar individual e coletivo.","type":"paragraph"},{"key":"9b2f3","text":"A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) ocorre em um contexto de crescimento expressivo das licenças relacionadas a ansiedade, burnout, depressão e outros transtornos frequentemente associados ao ambiente profissional. Sobrecarga, pressão por metas, jornadas extenuantes, assédio moral e relações interpessoais abusivas são apontados como gatilhos cruciais para o adoecimento psicológico dos empregados, afetando diretamente sua qualidade de vida e capacidade produtiva.","type":"paragraph"},{"key":"4j78l","type":"image","altText":"Profissional estressado no ambiente de trabalho","src":"https://agorarn.com.br/files/uploads/2026/05/agency-young-adult-profession-stressed-black-830x468.jpg"},{"key":"8k1m5","text":"Dados recentes do Ministério da Previdência Social revelam que, em 2025, foram concedidos 546.254 benefícios a trabalhadores afastados por transtornos mentais e comportamentais. Este número, que representa um acréscimo de quase 16% em relação ao ano anterior, abrange licenças relacionadas a fatores tanto internos quanto externos ao ambiente de trabalho, evidenciando a complexidade do problema e seu impacto social e econômico.","type":"paragraph"},{"key":"3a9p7","text":"Estimativas da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt) indicam que os gastos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) com esses afastamentos ultrapassaram R$ 1 bilhão. Os diagnósticos mais frequentes entre os trabalhadores brasileiros incluem ansiedade e episódios depressivos. Notavelmente, as mulheres foram as mais afetadas, concentrando 63,5% dos benefícios concedidos, o que sublinha a necessidade de abordagens sensíveis às desigualdades de gênero.","type":"paragraph"},{"key":"7c5h1","text":"Uma pesquisa da consultoria Mercer Marsh Benefícios, que analisou dados de cerca de 5 milhões de funcionários em diversas empresas, aponta um aumento de 23% nos afastamentos ligados à saúde mental entre 2022 e 2025. Durante esse período, os transtornos psicológicos ascenderam à terceira posição entre as principais causas de ausência no trabalho, configurando uma crise de saúde ocupacional que exige respostas urgentes.","type":"paragraph"},{"key":"1d6f9","text":"Com a nova diretriz, as empresas deverão integrar formalmente os riscos psicossociais em seus programas de gerenciamento de riscos ocupacionais. A norma abrange a identificação de fatores ligados à organização do trabalho, dinâmica de equipes, ritmo de produção, relações hierárquicas e o estado emocional dos empregados, promovendo um ambiente mais seguro e humano.","type":"paragraph"},{"key":"6e8g0","text":"Especialistas em recursos humanos e saúde ocupacional veem a medida como um passo positivo, que tende a intensificar a adoção de mecanismos preventivos e de acompanhamento da saúde mental nas organizações. A obrigatoriedade da gestão de riscos psicossociais é considerada benéfica tanto para os trabalhadores, que terão maior suporte, quanto para os empregadores, com potencial de redução de absenteísmo, rotatividade e elevação da produtividade.","type":"paragraph"},{"key":"5b4i2","text":"“A NR-1 obriga as empresas a revisarem carga e ritmo de trabalho, metas e práticas de liderança. Ajuda a atacar as causas na raiz do absenteísmo, e deve elevar o engajamento e a produtividade, fortalecendo a sustentabilidade do negócio”, afirma Luiz Rafael Bezerra, consultor sênior de Saúde Ocupacional da Mercer. Além dos benefícios para a saúde e produtividade, a atualização da norma pode gerar impactos financeiros positivos para as empresas, ao mitigar custos associados a afastamentos e a perda de capital humano.","type":"paragraph"}]}

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