ESTABILIDADE EM PAUTA

BRICS confronta conflito no Oriente Médio e crise do petróleo

Ministros Subrahmanyam Jaishankar e Abbas Araghchi se cumprimentam em reunião do BRICS sobre crise global.
O ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar (à direita), conversa com seu homólogo iraniano, Abbas Araghchi, na abertura da Reunião de Ministros das Relações Exteriores do BRICS em Nova Delhi — Foto: Arun SANKAR / AFP

Lideranças de países emergentes, incluindo o Brasil, se reúnem para aliviar pressões econômicas e sociais que afetam bilhões.

Chanceleres do BRICS, representando potências emergentes como Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e nações como Irã, reúnem-se nesta quinta-feira, 14/05/2026, na Índia para enfrentar dois dos mais prementes desafios globais: a escalada da guerra no Oriente Médio e a crescente crise do petróleo. O encontro, que conta com a presença do chanceler brasileiro Mauro Vieira, ocorre em meio a um cenário de profunda tensão internacional, com conflitos envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã, e a instabilidade que ameaça as cruciais rotas marítimas do Golfo Pérsico, como o Estreito de Ormuz. Este diálogo é fundamental para buscar caminhos de estabilização global e mitigar os severos impactos econômicos e humanitários que afetam diretamente a vida de bilhões de pessoas e a segurança energética mundial.

A reunião, que congrega ministros de Relações Exteriores de diversos países, incluindo o chanceler russo Sergei Lavrov e o ministro iraniano Abbas Araghchi, acontece em um momento crítico. As tensões geopolíticas impactam diretamente a economia global, elevando custos e gerando incertezas que afetam desde grandes corporações até o orçamento familiar em todo o planeta.

Subrahmanyam Jaishankar, ministro das Relações Exteriores da Índia, destacou antes das sessões fechadas que o cenário internacional vive uma “considerável transformação”. Ele ressaltou:

Os conflitos em curso, as incertezas econômicas e os desafios em comércio, tecnologia e clima estão moldando o cenário global.

Existe uma expectativa crescente de que o BRICS, um fórum de articulação entre grandes economias emergentes criado em 2009 e expandido para incluir nações como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, exerça um papel “construtivo e estabilizador”. Esta responsabilidade é particularmente vital para os países emergentes e em desenvolvimento, que sentem com mais força as ondas de instabilidade.

Apesar da importância do bloco, sua recente expansão também intensificou divergências, sobretudo em questões ligadas ao Oriente Médio – Irã e Arábia Saudita, por exemplo, possuem posições opostas em conflitos regionais. A instabilidade no Golfo Pérsico, especialmente após ameaças de bloqueio ao Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte de petróleo e fertilizantes, acende um alerta global. Países como a Índia, que importam quase metade do seu petróleo bruto por essa via, sentem a pressão direta no abastecimento e nos preços, com reflexos no custo de vida e na produção agrícola.

Diante dessas profundas divisões e da complexidade dos temas, diplomatas avaliam que a reunião pode terminar sem uma declaração conjunta do bloco. Contudo, a simples realização do encontro reforça a urgência de um diálogo contínuo para gerenciar as crises que impactam a estabilidade e o futuro econômico global.

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