GESTÃO E INFRAESTRUTURA
Brasil registra recorde de 850 licenças ambientais emitidas pelo Ibama em 2025
Volume de liberações federais cresceu 51% no último ano. Especialistas alertam para a necessidade de equilíbrio entre a celeridade dos processos e a segurança técnica.
O Brasil atingiu a marca de 850 licenças e autorizações ambientais federais emitidas durante o ano de 2025, estabelecendo um novo recorde para a última década. Segundo dados do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), o volume representa uma alta de 51% em relação ao ano anterior, conforme verificado neste sábado, 11/07/2026.
Este aumento ocorre em um momento de expansão de projetos estruturantes no país e de intensos debates sobre a aplicação da nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental. A legislação busca desburocratizar fluxos, mas a celeridade impõe desafios severos à estrutura técnica dos órgãos reguladores.
O licenciamento, pilar da Política Nacional do Meio Ambiente, deve garantir que atividades econômicas não comprometam a preservação dos recursos naturais e o bem-estar das comunidades. No entanto, o Ibama enfrenta uma sobrecarga administrativa, com um estoque de quase 4.000 processos em análise, o que coloca em xeque a robustez da avaliação técnica sobre os projetos aprovados.
Entre os setores com maior número de autorizações estão a infraestrutura rodoviária (188 licenças), exploração de petróleo e gás (166), usinas hidrelétricas (87), sistemas de transmissão (80) e pesquisas sísmicas (65). Trata-se de empreendimentos com elevado potencial de impacto territorial e social.
Acelerar as etapas de licenciamento sem o devido lastro institucional pode gerar riscos severos de judicialização. Quando a avaliação técnica é fragilizada, conflitos latentes podem retornar anos depois através do Ministério Público, resultando em paralisações de obras e insegurança jurídica para investidores e sociedade.
Patrícia Silvério, CEO da CPEA e doutora em Engenharia Ambiental pela Universidade de São Paulo (USP), ressalta que a eficiência não se resume à rapidez. A qualidade dos estudos ambientais e o fortalecimento das equipes são condições necessárias para transformar o atual volume de liberações em um legado de maturidade institucional e não em passivos futuros.
O conteúdo foi adaptado para o padrão do Poder, a partir de artigo publicado pela The Conversation em 3 de julho de 2026.
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