TECNOLOGIA CONTRA CRIMES

Cena-USP desenvolve mapa de isótopos para rastrear madeira ilegal na Amazônia

Imagem aérea de vegetação densa na Amazônia
Reserva florestal Amazônia

Pesquisadores utilizam composição química de árvores para validar Documento de Origem Florestal e tornar o combate ao desmatamento mais eficiente.

Uma nova metodologia baseada na análise de isótopos está sendo desenvolvida para identificar a procedência real de madeira extraída da Amazônia e combater o comércio ilícito de recursos florestais. O estudo, que ganhou destaque na publicação de resultados em 21 de julho de 2026, busca conferir maior precisão à fiscalização ambiental ao cruzar dados químicos com as informações declaradas no DOF.

A extração ilegal representa uma das principais causas de degradação da floresta. Atualmente, autoridades como a Polícia Federal e órgãos ambientais dependem de análises anatômicas, mapas de ocorrência de espécies e registros burocráticos, a exemplo do Documento de Origem Florestal, para verificar a legalidade da carga. Contudo, a fragilidade desses documentos frente a fraudes impõe desafios constantes às forças de segurança.

O grupo coordenado pelo professor Luiz Antonio Martinelli, no Cena-USP, aposta na assinatura isotópica — a composição química única presente na celulose da madeira — como uma prova inviolável. Diferente de documentos físicos, a composição química de uma árvore é uma marca natural que não pode ser falsificada.

De acordo com o pesquisador, o objetivo é entregar à Polícia Federal um modelo chamado isoscape. “Queremos fornecer um instrumento que permita confirmar se a procedência declarada no DOF condiz com a realidade química do material”, explica.

O estudo, que conta com apoio da Fapesp e integra o doutorado de Isabela Maria Souza Silva, já demonstrou em artigo na Molecules a existência de gradientes químicos claros, como a variação entre oxigênio-16 e oxigênio-18 em diferentes regiões da Amazônia. O trabalho atual busca refinar o modelo, expandindo a análise para carbono, nitrogênio e estrôncio, visando reduzir as incertezas geográficas que hoje ainda abrangem cerca de 640 mil km².

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