TERREMOTO VENEZUELA
Brasil monitora terremotos na Venezuela e não vê impacto em fluxo migratório
Governo brasileiro mantém vigilância sobre a crise sísmica, mas Operação Acolhida não registrou aumento de venezuelanos na fronteira em Roraima. Estrutura de acolhimento segue pronta para eventuais demandas.
O governo do Brasil monitora atentamente a crise na Venezuela após os fortes terremotos que atingiram o país. Apesar da comoção internacional e do número crescente de vítimas, autoridades brasileiras ouvidas pelo Metrópoles não observam, até o momento desta sexta-feira (27/06/2026), um aumento significativo no fluxo migratório de venezuelanos em território nacional.
A Operação Acolhida, responsável pelo acolhimento de imigrantes em Roraima, não registrou elevação na demanda por assistência nos últimos dias. O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) confirmou que a estrutura atual é suficiente para lidar com a situação.
"A Operação Acolhida não registrou nenhum aumento da demanda por acolhimento significativo dos terremotos ocorridos na Venezuela nessa quarta-feira (24/6). Por isso, até o momento, não foi necessário adotar medidas extraordinárias em razão dos tremores", informou o MDS em nota. O fluxo migratório na fronteira de Roraima permanece similar aos dias que antecederam os abalos sísmicos, com a travessia diária de 100 a 200 venezuelanos para o Brasil.
Especialistas da Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), que atuam junto à Operação Acolhida, consideram cedo para analisar possíveis mudanças na migração. As regiões venezuelanas mais afetadas pelos tremores estão localizadas a mais de 1,4 mil km de distância da fronteira brasileira em Pacaraima, um fator que pode explicar a ausência de um êxodo em massa.
Apesar do cenário estável, o MDS assegura que a força-tarefa está preparada para eventuais aumentos na demanda. "A força-tarefa conta com estrutura suficiente para atender eventuais aumentos na demanda. Há vagas disponíveis nos abrigos e espaços de contingência já preparados para ampliar o acolhimento, se necessário", declarou o Ministério.
Imigração venezuelana no Brasil
- Nos últimos anos, o Brasil se tornou um dos destinos buscados por venezuelanos que fogem da crise social e política em seu país.
- O principal ponto de entrada de venezuelanos no território brasileiro é a cidade de Pacaraima, em Roraima.
- Dados da Polícia Federal (PF) indicam que cerca de 1,4 milhão de venezuelanos migraram para o Brasil entre 2018 e 2025.
- Criada em 2018, a Operação Acolhida reúne governos estaduais, federal, Forças Armadas, Judiciário e organizações internacionais para assistir os venezuelanos que chegam ao Brasil.
- No último ano, 21.233 venezuelanos solicitaram refúgio no Brasil.
Crise na Venezuela
Até o momento, o governo venezuelano confirmou 920 mortes e mais de 3,3 mil feridos devido aos terremotos. Na noite de quarta-feira (24/6), a costa norte do país foi abalada por tremores de magnitude 7,2 e 7,5, com os estados de La Guaíra e a capital Caracas entre as áreas mais atingidas.
Os abalos, os mais fortes registrados na Venezuela desde 1900, danificaram mais de 1,4 mil estruturas, incluindo 383 edifícios residenciais e 13 hospitais. O balanço preliminar aponta 157 desaparecidos, embora estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU) e plataformas civis indiquem números muito superiores.
Organizações civis criaram um site para divulgar informações sobre desaparecidos. A plataforma recebeu 64.752 registros até a noite de sexta-feira, com mais de 53 mil pessoas ainda com paradeiro desconhecido e 11.212 localizadas. Equipes de resgate do Brasil, República Dominicana, Espanha, Chile, Equador, Panamá, El Salvador, Colômbia e Estados Unidos foram enviadas à Venezuela, além de ajuda humanitária de outras nações.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário