RANKING GLOBAL DE IA

Brasil fica fora do "grupo de elite" de IA, enquanto EUA lideram ranking global

Gráfico de ranking de países com prontidão para inteligência artificial.
O Government AI Readiness Index avalia a capacidade dos países de implementar, desenvolver e governar tecnologias de IA.

Relatório da Oxford Insights aponta o país na 22ª posição, com desafios em infraestrutura digital e talentos, apesar de avanços em políticas públicas.

O Brasil ficou de fora do "grupo de elite" de países com prontidão para a inteligência artificial (IA), conforme aponta o Government AI Readiness Index, elaborado pela Oxford Insights. Na edição mais recente divulgada nesta semana, o país figura na 22ª posição global, atrás de nações como Estônia e Áustria.

O levantamento, considerado um dos mais importantes rankings internacionais sobre o tema, avalia anualmente a capacidade de implementação, desenvolvimento e governança de tecnologias de IA em diversas nações. A análise considera dezenas de indicadores, incluindo estratégia governamental, ambiente de inovação, disponibilidade de talentos, infraestrutura digital, conectividade e acesso a dados.

Lideram a "elite" da inteligência artificial no mundo Estados Unidos, Singapura, Reino Unido, França e Canadá. Esses países concentram os principais laboratórios, centros de pesquisa, investimentos e empresas que impulsionam os avanços mais recentes na área. O ranking detalha as posições e pontuações dos países líderes:

Segundo o estudo, os países mais preparados para governar a IA são, em grande medida, os mesmos que lideram sua criação e evolução. Com uma pontuação geral de 69,55, o Brasil supera a média latino-americana (35,20), mas ainda está distante do líder Estados Unidos (88,36).

O país demonstra resultados robustos em indicadores de políticas públicas, digitalização do governo e conformidade regulatória. Contudo, o desempenho é inferior em áreas cruciais para a próxima fase da IA, como capacidade computacional, maturidade do setor privado de IA e formação de talentos especializados.

Especialistas apontam riscos e oportunidades

Empresários do mercado de IA no Brasil alertam que problemas na regulação podem ser um entrave, mas destacam o potencial do setor. Felipe Matos, CEO da 10k Digital, aponta que a proteção excessiva a direitos autorais pode inviabilizar o uso de modelos de IA que incorporem dados de obras protegidas. A complexidade para garantir que cada dado de treinamento esteja livre de direitos autorais, segundo ele, pode levar a modelos treinados com menos dados, menos diversidade e, consequentemente, menos capacidade, criando uma versão local de IA inferior às globais.

Guilherme Freire, CEO da Dolado, complementa que a insegurança jurídica afeta principalmente pequenas empresas, elevando custos e atrasando o lançamento de modelos e funcionalidades. Ele ressalta, porém, que o Brasil tem uma janela de oportunidade para criar os 'trilhos' da nova economia, definindo como o valor é gerado e capturado, tornando-se um polo de solução para desafios complexos da IA.

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