DIPLOMACIA EM CRISE
Brasil e outros 11 países condenam ação de Israel a flotilha humanitária
Declaração conjunta repudia ataque a embarcações com ajuda para Gaza e exige libertação imediata de 175 ativistas, entre eles quatro brasileiros.
Ministros das Relações Exteriores do Brasil e de outras onze nações uniram suas vozes em uma declaração conjunta divulgada nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, para condenar veementemente o ataque das forças israelenses à flotilha humanitária Global Sumud, ocorrido na quarta-feira anterior. A intervenção, que interceptou 22 embarcações com ajuda vital para a Faixa de Gaza e resultou na detenção de 175 ativistas, incluindo quatro cidadãos brasileiros, é classificada pelos países como uma flagrante violação do direito internacional, levantando sérias preocupações sobre a segurança dos envolvidos e o futuro da assistência humanitária na região.
O grupo de nações, que além do Itamaraty inclui Turquia, Jordânia, Mauritânia, Paquistão, Espanha, Malásia, Bangladesh, Colômbia, Maldivas, África do Sul e Líbia, criticou a abordagem militar contra as embarcações que haviam partido de Catania, na Itália, em 26 de abril. Segundo a Marinha de Israel, 175 ativistas de diversas nacionalidades foram detidos. Entre eles, a declaração destaca a presença de quatro brasileiros:
- Thiago Ávila: Ativista socioambiental, já havia sido detido pelo Exército de Israel em junho e em outubro de 2025.
- Mandi Coelho: Militante do PSTU e pré-candidata a deputada federal por São Paulo.
- Leandro Lanfredi: Petroleiro da Transpetro, diretor do Sindipetro-RJ e da Federação Nacional dos Petroleiros.
- Thainara Rogério: Ativista, que também possui nacionalidade espanhola e estava em um barco com a delegação catalã.
"Os ataques israelenses contra as embarcações e a detenção ilegal de ativistas humanitários em águas internacionais constituem flagrantes violações do direito internacional e do direito internacional humanitário", afirma o comunicado conjunto. A nota adiciona que "os ministros manifestam profunda preocupação com a segurança dos ativistas civis e instam as autoridades israelenses a adotarem as medidas necessárias para assegurar sua libertação imediata", sublinhando a urgência da situação.
Israel e EUA defendem a ação
Em contrapartida, o Ministério das Relações Exteriores de Israel declarou na quinta-feira, 30 de abril, que os ativistas detidos são "provocadores" e que as forças israelenses agiram dentro da lei. "Israel agiu de forma rápida, pacífica, em conformidade com o direito internacional e com o objetivo de garantir a segurança de todos a bordo – e continuará a fazê-lo", disse uma nota divulgada no X.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, do partido Likud, utilizou seu perfil no X para parabenizar a Marinha israelense. Ele afirmou que a flotilha é composta por apoiadores do grupo extremista Hamas. "Nenhum navio e nenhum apoiador do Hamas alcançou nosso território nem mesmo nossas águas territoriais. Eles foram repelidos. Continuarão a ver Gaza no YouTube", declarou Netanyahu.
Tommy Pigott, porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, manifestou apoio a Israel e condenou o que chamou de iniciativa de apoio ao Hamas. Ele afirmou que os EUA esperam que todos os seus aliados "tomem medidas enérgicas contra essa manobra política inútil, negando acesso a portos, atracação, partida e reabastecimento às embarcações participantes da flotilha". Pigott ainda mencionou que "os EUA considerarão o uso de ferramentas disponíveis para impor consequências àqueles que apoiam essa flotilha", elevando a tensão em torno do incidente.
Um vídeo que registrou o momento da interceptação de um dos barcos da flotilha, com duração de 2 minutos e 6 segundos, circula nas redes e mostra a ação das forças israelenses.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário