RANKING DE COMPETITIVIDADE
Brasil cai para 65º em ranking de competitividade entre 70 países
País perde posições em áreas cruciais como economia doméstica, política tributária e mercado de trabalho. Mudanças na jornada 6X1 podem agravar o cenário.
O Brasil registrou uma queda significativa na sua posição no Ranking Mundial de Competitividade 2026, divulgado pelo IMD World Competitiveness Center nesta sexta-feira, 19 de junho de 2026. O país despencou para a 65ª posição entre 70 nações analisadas, um retrocesso em relação ao 58º lugar ocupado em 2025. Este é o pior desempenho do Brasil nos últimos anos.
A análise revela que a nação enfrentou dificuldades em diversos setores, com perdas notáveis em práticas de gestão (-11 posições), economia local (-10 posições), preços (-10 posições), produtividade e eficiência (-9 posições), política tributária (-8 posições), infraestrutura tecnológica (-5 posições) e mercado de trabalho (-4 posições). A pontuação final de cada economia é determinada pela combinação de percepções de executivos e dados estatísticos, avaliando quatro pilares: desempenho econômico, eficiência governamental, eficiência empresarial e infraestrutura.
No desempenho econômico, o Brasil passou da 30ª para a 36ª posição. A eficiência governamental sofreu um leve recuo, caindo da 68ª para a 69ª colocação. A eficiência empresarial apresentou uma queda mais acentuada, de 56º para 67º, enquanto a infraestrutura desceu de 58º para 61º.
No topo do ranking, Cingapura manteve a liderança, seguida por Hong Kong e Suíça. Completam o top 5 Taiwan e Emirados Árabes Unidos. Nações como Dinamarca, Irlanda, Holanda, Suécia e Estados Unidos também figuram entre as 10 mais competitivas. Na outra ponta da lista, Venezuela encabeça as últimas posições, precedida por Namíbia, Nigéria, Mongólia e Botsuana. O Peru aparece em 60º lugar, seguido por Romênia (61º), México (62º), Eslováquia (63º) e Gana (64º).
O cenário de queda na competitividade pode ser impactado pelas discussões sobre o fim da jornada de trabalho 6 X 1 no Brasil. Embora o governo federal defenda a mudança como um impulsionador do consumo e de pequenos negócios, associações empresariais e entidades como a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil e a Confederação Nacional da Indústria alertam para um possível aumento de custos para as empresas, especialmente as micro e pequenas, que são as maiores empregadoras do país. Estimativas indicam que a mão de obra no comércio pode subir até 12,7% e na indústria, para pequenas empresas, até 13%, afetando diretamente a competitividade.
Dados do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, da Ibre FGV, apontam que a eficiência do trabalho no Brasil avançou apenas 0,4% em 2025, repetindo o patamar de 2024 e distante dos 2,3% de 2023. Esse ganho ocorreu unicamente na agropecuária, com retração na indústria e nos serviços. Especialistas indicam que a flexibilização das jornadas de trabalho, quando mal planejada, pode trazer mais custos e menos produtividade, distanciando o Brasil de padrões globais e impactando negativamente sua posição em rankings de competitividade.
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