LOGÍSTICA E TRANSPORTE

Lula sanciona novas regras para a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas

Caminhões trafegando em rodovia brasileira
Congresso aprova mudanças no piso do frete dos caminhoneiros

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva valida alterações no frete rodoviário, mantendo o piso obrigatório sem fixação de valores fixos por lei.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou na quarta-feira (5) a proposta que reformula a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, mantendo a obrigatoriedade da existência de um valor mínimo, mas retirando a fixação de valores nominais do escopo do Congresso Nacional. A decisão visa trazer estabilidade ao setor logístico e fortalecer a fiscalização sobre o descumprimento dos pagamentos devidos aos motoristas. Durante as etapas de tramitação, parlamentares na Câmara dos Deputados chegaram a propor um piso salarial de R$ 5 mil mensais para caminhoneiros em longas distâncias, medida que foi suprimida pelo Senado Federal por questões de constitucionalidade. A nova legislação reforça que o valor do frete deve refletir os custos operacionais reais, tornando-o vinculante sob pena de sanções severas. Fiscalização e penalidades O texto endurece o rigor contra empresas que descumprirem os valores determinados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O descumprimento pode resultar em multas de até R$ 1 milhão, além da suspensão ou cancelamento do registro do transportador em casos de reincidência grave. A norma também estende a responsabilidade a intermediadores e plataformas digitais que ofertem fretes em desacordo com a legislação. O sistema exige, ainda, o cadastro obrigatório para a geração do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT). A ANTT permanece como o órgão responsável por atualizar os pisos periodicamente, especialmente diante de oscilações superiores a 5% no valor dos combustíveis, conforme o gatilho estabelecido desde 2018. Debates e vetos O processo de sanção envolveu a análise de vetos, conforme antecipado pelo senador Randolfe Rodrigues (PT-AP). Entre os pontos questionados estão dispositivos que concederiam anistia a multas aplicadas durante bloqueios em 2022 e a suavização de sanções por excesso de peso. Enquanto entidades como a Abrava defendem a regulamentação como forma de proteção à categoria diante de instabilidades globais, setores como o Instituto Livre Mercado e o Sindicom alertam que o aumento de custos logísticos pode impactar diretamente o consumidor final.

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