DECISÃO EM DISPUTA

Brasil busca reverter embargo da União Europeia para exportação de proteínas animais

Gráfico de exportação de proteínas animais
Brasil busca reverter embargo da União Europeia para exportação de proteínas animais

A medida da União Europeia, que restringe a exportação de proteínas animais brasileiras a partir de 3 de setembro, motivou intensa articulação diplomática e técnica. O governo federal e o setor produtivo intensificam esforços para reverter a decisão, que impacta US$ 1,8 bilhão em comércio.

O governo federal, representantes da indústria e entidades do agronegócio intensificaram as negociações para tentar reverter a decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países habilitados a exportar proteínas animais ao bloco. A medida, motivada por exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal, entra em vigor em 3 de setembro, impactando um mercado que movimenta cerca de US$ 1,8 bilhão por ano em exportações brasileiras de carnes.

A estratégia adotada combina tratativas técnicas diretas entre o Ministério da Agricultura e a Comissão Europeia com uma articulação política de alto nível, envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O objetivo central é demonstrar a capacidade do Brasil em atender às rigorosas exigências sanitárias europeias, buscando evitar prejuízos significativos ao setor produtivo nacional.

Imagem ilustrativa de exportação de carnes
Brasil tenta reverter embargo da europa | notícias do rio grande do norte images

O governo aposta na força do diálogo entre o presidente Lula e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para viabilizar uma reavaliação da decisão. Uma oportunidade crucial para discutir o tema ocorrerá durante a reunião do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações (Scopaff), agendada para 9 de julho.

O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Cleber Soares, expressou otimismo quanto ao desfecho das negociações, destacando que o governo trabalha em soluções específicas para cada cadeia produtiva. Ele apontou que a adaptação tende a ser mais célere na avicultura, enquanto a bovinocultura poderá demandar regras de transição, considerando seu ciclo produtivo mais longo.

A indústria também se mostra confiante na reversão das restrições. Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS, ressaltou que o desafio reside na formalização das garantias exigidas pela União Europeia sobre o uso de antimicrobianos, e não na qualidade intrínseca da carne brasileira.

No âmbito legislativo, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) acompanha de perto as tratativas e defende a permanência do Brasil na lista de países habilitados. Paralelamente, as associações Abiec e ABPA solicitaram ao Ministério da Agricultura um rigor maior nas regras nacionais para o uso de determinados antimicrobianos, visando alinhar a legislação brasileira aos padrões internacionais e fortalecer a credibilidade sanitária do país.

Especialistas, contudo, observam que as exigências europeias eram de conhecimento do governo desde 2023, sugerindo que uma adaptação mais precoce poderia ter sido iniciada. Ainda assim, o setor produtivo avalia que há margem para uma resolução favorável antes da entrada em vigor das restrições.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário