ECONOMIA FORTE

Brasil Atrai Recorde de Investimentos Chineses

Linha de montagem da BYD, destacando a produção automotiva no Brasil.
Imagem: Linha de montagem da BYD no Brasil, um exemplo dos investimentos chineses que impulsionam a indústria automotiva nacional.

US$ 6,1 bilhões em 52 projetos fizeram do Brasil o destino prioritário para o capital da China, impulsionando a economia em 2025.

Em 2025, o Brasil consolidou sua posição como um dos principais destinos globais para o capital chinês. Grupos da China, impulsionados por um cenário internacional que os direcionou para mercados abertos e seguros, como o brasileiro, decidiram investir US$ 6,1 bilhões em 52 novos projetos no país. Esse movimento, revelado pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), representa o maior volume de projetos e um aumento de 45% nos aportes em relação ao ano anterior, superando qualquer outro país e gerando um impacto positivo direto na economia brasileira e na criação de empregos para milhares de famílias.

O levantamento do CEBC detalha diferentes modalidades de investimento, como expansões de negócios já existentes, operações iniciadas do zero, fusões estratégicas, aquisições e parcerias em joint ventures. Este cenário reforça uma tendência crescente observada desde 2021, período em que o Brasil passou a figurar de forma contínua entre os cinco principais destinos de investimentos chineses no mundo, refletindo a confiança e o potencial de desenvolvimento do país.

Tulio Cariello, diretor de Conteúdo e Pesquisa do Conselho Empresarial Brasil-China e autor do estudo, destaca o papel crucial do contexto internacional para essa atratividade brasileira. “Outros países se fecharam, principalmente os EUA, e o Brasil passou a ser a bola da vez, um lugar aberto e seguro”, afirma Cariello, sublinhando a percepção de estabilidade e oportunidade que o país oferece aos investidores estrangeiros.

Cariello também aponta fatores estruturais que ajudam a explicar o interesse crescente das empresas chinesas, entre eles o tamanho do mercado consumidor, a presença de uma indústria consolidada, a robustez do sistema bancário, a vasta disponibilidade de recursos naturais e uma matriz energética notavelmente baseada em fontes limpas. Estes pilares oferecem um ambiente fértil para o crescimento e a sustentabilidade dos negócios.

Os investimentos em 2025 concentraram-se principalmente em setores estratégicos para o desenvolvimento nacional: energia, mineração, indústria automobilística, petróleo e tecnologia da informação. Projetos ligados ao segmento energético responderam por 29,5% do total, enquanto a mineração atraiu 29%, seguida pela indústria automotiva, com 15,8%, petróleo, com 13,3%, e tecnologia da informação, com 6,3%. Essas áreas são vitais para a modernização e competitividade do Brasil.

O setor elétrico, com seus investimentos em geração e transmissão de energia, manteve a liderança em valor aportado, repetindo uma trajetória observada desde 2012. Metade dos projetos chineses anunciados no ano passado esteve ligada diretamente a essa área, com aportes de US$ 1,79 bilhão. Os recursos foram direcionados principalmente para a construção e expansão de usinas solares, eólicas e hidrelétricas, além de linhas de transmissão, fortalecendo a infraestrutura energética do país e impulsionando a transição para energias mais limpas.

Na mineração, o movimento foi impulsionado significativamente pela aquisição da Equinox pela chinesa CMOC, em dezembro de 2025, em uma operação de US$ 1 bilhão. O segmento registrou investimentos de US$ 1,76 bilhão no ano, mais do que triplicando o volume do ano anterior, evidenciando o apetite por recursos minerais brasileiros e o potencial de valorização deste setor.

O avanço da indústria automobilística também figurou entre os grandes destaques do período, com a abertura de novas fábricas de montadoras chinesas renomadas, como GWM e BYD. Para Hsia Hua Sheng, vice-presidente do BOC Brasil e professor da FGV EAESP, o recorde de projetos sinaliza uma mudança estrutural no perfil dos investimentos chineses no país.

“Antes eram só os grupos gigantes que estavam aqui. Agora toda a cadeia de fornecedores dessas empresas veio”, afirma Sheng. Segundo ele, a instalação de montadoras e fabricantes de equipamentos eletrônicos tem impulsionado a chegada de uma vasta rede de fornecedores de peças, componentes e serviços, criando um ecossistema industrial mais robusto e diversificado no Brasil, com oportunidades para negócios locais e transferência de tecnologia.

Sheng avalia que a tendência para os próximos anos será de um aumento contínuo no número de projetos, ainda que os valores individuais possam perder intensidade. “O valor investido pode até não ser tão alto nos próximos anos, mas o número de projetos será cada vez maior”, diz, indicando uma diversificação e capilaridade dos investimentos chineses em território brasileiro.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário