DINHEIRO DA EXTRAÇÃO
Concentração de royalties da mineração desafia economia de 10 cidades de Minas Gerais
Dez municípios mineiros captaram 74% dos R$ 3,6 bilhões em CFEM durante 2025. O cenário evidencia a forte dependência financeira da atividade mineral.
Apenas dez municípios concentraram 74% dos R$ 3,6 bilhões arrecadados com royalties da mineração em Minas Gerais em 2025. Conceição do Mato Dentro lidera o ranking, seguida por Congonhas, Nova Lima, Mariana e Itabira, conforme levantamento feito pelo Metrópoles com base em dados do Observatório da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), da Agência Nacional de Mineração (ANM).
O montante, arrecadado ao longo do ano de 2025, reflete a predominância do minério de ferro e a centralidade da Vale nas operações extrativas no estado. O minério de ferro gerou sozinho R$ 3,09 bilhões, equivalentes a 86,44% de toda a CFEM estadual, enquanto a Vale recolheu R$ 1,54 bilhão, respondendo por 43,22% do total arrecadado.
Impacto na dignidade e orçamento
Para municípios como Conceição do Mato Dentro, a dependência dessa fonte é severa. Dados do painel Contas Públicas do Brasil, do Tesouro Nacional, indicam que a receita proveniente da exploração de recursos naturais representou 35,57% de todo o orçamento municipal em 2025. Em termos práticos, 84% das transferências recebidas pela cidade vieram especificamente da CFEM, sublinhando que o funcionamento básico de serviços públicos locais está atrelado diretamente à atividade mineradora.
Segurança e riscos territoriais
A economia pujante traz, contudo, riscos estruturais. Embora Conceição do Mato Dentro não apresente barragens em nível de emergência atualmente, o histórico de tensões é relevante. Em 2025, o Tribunal de Contas de Minas Gerais (TCE-MG) suspendeu a ampliação de uma barragem da Anglo American, protegendo famílias da comunidade de São José do Arrudas que seriam forçadas a residir na Zona de Autossalvamento (ZAS), local onde a chance de fuga em um eventual rompimento é inviável.
O panorama estadual é de atenção permanente: cinco barragens situadas nos principais municípios mineradores figuram no boletim de alerta da ANM de junho de 2026. Atualmente, o estado contabiliza 28 estruturas em níveis de risco, sendo 22 delas em estágios de emergência, exigindo rigor constante na fiscalização para garantir a segurança das populações vizinhas aos complexos industriais.
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