MARCO HISTÓRICO BRASIL
Brasil atinge recorde em doação de órgãos, celebra ABTO
Com 4.335 transplantes em 2025, o país avança, mas desafios regionais persistem.
Na última quarta-feira, 6 de maio de 2026, a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) anunciou um marco histórico para a saúde do Brasil: o país registrou, em 2025, o maior número de doadores de órgãos de sua história. A revelação, feita por meio do relatório do Registro Brasileiro de Transplantes, acende a esperança para milhares de pacientes que aguardam por uma chance de vida, demonstrando um avanço significativo na rede nacional de transplantes.
Em 2025, um total de 4.335 pessoas receberam pelo menos um órgão, uma taxa que equivale a 20,3 doadores por milhão de população (pmp). Esse resultado destaca a crescente solidariedade da sociedade e a eficiência do sistema de captação.
Entre os diversos órgãos, o rim se manteve como o mais transplantado, alcançando 6.697 cirurgias e um crescimento notável de 5,9% em comparação com 2024. O fígado também demonstrou uma expansão, com 2.573 procedimentos e um aumento de 4,8%. Contudo, órgãos torácicos, como coração e pulmão, registraram uma leve redução no número de procedimentos.
A maior parte dos órgãos doados tem origem em doadores falecidos, um tipo de transplante que viu seu número crescer 8,1% para rins e 5,7% para fígados. Em contrapartida, os transplantes intervivos – quando uma pessoa saudável doa parte de um órgão – apresentaram queda no mesmo período: 7,2% no rim e 9,6% no fígado.
Apesar dos progressos notáveis, o Brasil ainda possui um número de doações considerado incipiente frente ao tamanho de sua população. O relatório do International Registry in Organ Donation and Transplantation (IRODaT) posiciona o país na 25ª colocação global em número de doadores efetivos.
Desafios para o aumento dos transplantes
A recusa familiar persiste como um dos principais obstáculos para a efetivação da doação de órgãos no Brasil. A legislação atual exige a autorização da família após o diagnóstico de morte encefálica, mesmo que o paciente tenha manifestado em vida o desejo de ser um doador. Essa barreira emocional muitas vezes impede que a vontade do indivíduo seja respeitada, impactando diretamente no número de vidas que poderiam ser salvas. O médico José Eduardo Afonso Jr., que coordena o Programa de Transplantes do Einstein Hospital Israelita, detalha as diversas razões para essa recusa. "As principais são o não entendimento de que a morte encefálica é igual à morte, que é uma situação irreversível e que, mesmo com o coração batendo, não há qualquer chance de reversão do quadro", esclarece o especialista. Ele ainda enfatiza que a falta de conhecimento é agravada por uma comunicação falha entre os profissionais de saúde e os familiares, que nem sempre recebem o acolhimento e as informações adequadas no momento crítico da decisão. Outra barreira significativa é a acentuada disparidade regional na realização de transplantes pelo país. Enquanto a região Sul lidera com 34,8 doadores pmp, a região Norte registra apenas 8,5 pmp. Os estados de Santa Catarina e Paraná destacam-se como líderes absolutos no ranking, com taxas impressionantes de 42,8 pmp e 38,9 pmp, respectivamente, superando inclusive índices de muitos países desenvolvidos. José Eduardo Afonso Jr. sublinha a heterogeneidade da situação: "A doação de órgãos e a atividade transplantadora são extremamente heterogêneas nas diversas regiões do país. Existem estados cujos índices de doação se assemelham aos dos melhores países do mundo, como Paraná e Santa Catarina, e existem estados que não conseguem realizar sequer uma doação de órgãos efetiva durante um ano." O especialista atribui este cenário à falta de interesse e investimento das gestões estaduais que possuem estruturas ainda incipientes para a realização de transplantes. Ele ressalta que o Sistema Nacional de Transplante oferece uma série de ferramentas e apoio para o desenvolvimento da doação de órgãos, mas a efetividade depende da proatividade e engajamento local.Gostou desta notícia?
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