JORNADA DIGNA JÁ

Boulos critica "bolsa patrão" em debate sobre jornada 6x1

Boulos critica "bolsa patrão" em debate sobre jornada 6x1

Ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, questiona razoabilidade de benefício a empresários em troca de dois dias de folga semanal.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, condenou a ideia de compensações financeiras para empresas que se adequarem ao fim da escala de trabalho 6x1. A manifestação ocorreu nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, durante audiência pública na Câmara, onde Boulos questionou a razoabilidade de destinar recursos públicos para custear uma medida que visa essencialmente a dignidade do trabalhador. Ele argumenta que tal proposta, se concretizada, criaria uma espécie de "bolsa patrão", com impacto econômico comparável ao do aumento do salário mínimo, conforme estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Boulos reforçou a sua posição: "A gente tem visto um debate sobre compensações. Neste caso, gente, elas não são razoáveis. Alguém chegou a propor compensação para as empresas quando há aumento de salário mínimo no Brasil? Não, não seria razoável. Se alguém propusesse isso talvez fosse alvo de chacota. Se o impacto econômico, segundo estudo do Ipea, é semelhante [ao aumento do salário mínimo], por que nós vamos falar agora de compensação, de bolsa patrão?" E complementou: "Quer dizer, o trabalhador reduz a jornada, ganha dois dias para poder descansar, uma coisa humana, uma pauta que nem deveria ser partidarizada como está, deveria ser defendida pelo conjunto das forças políticas deste país, [mas] aí, esse próprio trabalhador, por meio dos seus impostos, tem que financiar uma compensação? Não tem razoabilidade."

A audiência pública também ouviu o impactante testemunho de Rick Azevedo, fundador do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e vereador no Rio de Janeiro. Com 12 anos de experiência em diversos setores – supermercado, farmácia, posto de gasolina, shopping e call center –, sempre sob a exaustiva escala 6x1, Azevedo compartilhou a dura realidade: "Eu sei exatamente o que o trabalhador e a trabalhadora brasileira passam constantemente nessa escala desumana", declarou. Ele descreveu a escala como um ataque à dignidade humana, impedindo que pais e mães de família se sentissem "pertencentes à sociedade, não sentia capaz". Reconhecido por impulsionar o debate, Azevedo também refutou categoricamente as propostas de compensação e de um período de transição prolongado, afirmando que o fim da escala 6x1, existente desde a fundação da CLT, "já era para ter acontecido".

Ainda em discussão, o futuro da jornada de trabalho no Brasil ganha novos contornos. Recentemente, ministros do governo Lula e lideranças da Câmara dos Deputados firmaram um acordo que prevê uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) simples para instituir dois dias de descanso remunerado por semana, na prática a escala 5x2, além da redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. Paralelamente, um Projeto de Lei (PL) com urgência constitucional, enviado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deverá complementar a PEC, abordando temas específicos de categorias e ajustando a legislação vigente.

Segundo o deputado federal Alencar Santana (PT-SP), presidente da comissão especial da PEC, os pontos que ainda carecem de decisão são a definição de eventuais compensações para os empresários e a implementação de um período de transição. A decisão sobre esses aspectos finais permanece em aberto.

*Com informações de Agência Brasil

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