DIREITOS EM JOGO
Boulos acusa 'terrorismo econômico' em debate sobre jornada 6x1
Ministro da Secretaria-Geral afirma que impacto nos custos seria inferior a 1% e associa pressão a pautas sociais históricas.
Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, acusou nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, setores do empresariado de promover "terrorismo econômico" nas discussões sobre o fim da escala de trabalho 6x1. A declaração, feita durante o programa "Bom Dia, Ministro", realça o intenso debate sobre a redução da jornada laboral e seus impactos diretos na dignidade dos trabalhadores e na economia nacional, levantando questões cruciais sobre o equilíbrio entre lucro e bem-estar social.
Boulos trouxe à tona um histórico de resistência empresarial contra avanços sociais, comparando a atual pressão a embates passados. "Existe um terrorismo econômico brutal nessa historia", afirmou o ministro. Ele recordou que, em outros momentos, os mesmos argumentos foram utilizados contra a Lei do salário mínimo, férias remuneradas, o 13º salário e a jornada de oito horas. "O papo era o mesmo, grande empresário nunca vai defender o trabalhador", pontuou Boulos, conectando a discussão atual a lutas históricas por direitos.
O ministro defendeu que estudos robustos indicam um impacto financeiro mínimo para as empresas. Segundo ele, a medida nos custos operacionais seria inferior a 1%. Boulos desafiou a narrativa de líderes empresariais, citando Paulo Skaf, presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). "O impacto econômico precisa ser observado a partir de estudos, não do olhar do Paulo Skaf. No estudo do IPEA, que é o mais robusto, o impacto na economia é de 1%, semelhante a quando tem aumento real no salário mínimo", detalhou.
Além do aspecto econômico, Boulos ressaltou os benefícios da redução da jornada para o desempenho do trabalhador. "Onde se reduziu a jornada de trabalho e se deu mais tempo de descanso, teve um impacto positivo na produtividade. Um trabalhador descansado produz mais, tem menos acidentes de trabalho", explicou. Essa perspectiva enfatiza a dignidade do trabalho e o reconhecimento de que o bem-estar dos empregados se traduz em ganhos para a própria empresa e para a sociedade.
O ministro associou a forte pressão sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à sua defesa incisiva do fim da escala 6x1. "Estão batendo tanto no Lula porque ele está enfrentando um interesse muito poderoso. Está enfrentando o sistema econômico inteiro quando defende redução da jornada de trabalho. Foi para isso que ele foi eleito e por isso tá tomando pancada", declarou Boulos, reforçando que a pauta é central para o governo e representa um desafio direto a setores econômicos influentes. A fala ocorreu durante o programa transmitido pelo Canal Gov.
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