NOVO ESCÂNDALO
Beto Sicupira é investigado por fraude na Americanas após delação
Empresário Carlos Alberto Sicupira é incluído em investigação da Polícia Federal com base em depoimento de ex-diretor financeiro da Americanas. Mandados de busca e apreensão foram expedidos no Rio de Janeiro e São Paulo.
Carlos Alberto Sicupira passou a ser investigado pela Polícia Federal (PF) sobre a fraude contábil na Americanas. A inclusão do empresário na apuração ocorre após o ex-diretor financeiro da varejista, Fábio Abrate, afirmar em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF) que Sicupira tinha conhecimento das irregularidades. Essa decisão, tomada na quinta-feira, 25/06/2026, ganha destaque por mirar um dos principais acionistas da empresa e levanta questões sobre a governança corporativa e a responsabilidade de controladores em casos de fraude. A investigação busca esclarecer o impacto dessas práticas na saúde financeira da companhia e na confiança dos investidores.
A segunda fase da Operação Disclosure, deflagrada na quinta-feira (25/06/2026), cumpriu nove mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro e em São Paulo. Além de Sicupira, a investigação também alcança Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann e ex-integrante do conselho de administração da Americanas, o ex-conselheiro Eduardo Saggioro, além de executivos e ex-executivos dos bancos Itaú, Bradesco e Santander. A apuração visa determinar o grau de envolvimento dessas figuras nas supostas manipulações contábeis que teriam ocultado a real situação financeira da Americanas.
Em sua colaboração premiada, Abrate detalhou a relação entre o então diretor-presidente Miguel Gutierrez, apontado como principal responsável pelas fraudes, e outros integrantes do alto comando da companhia. Segundo o ex-executivo, Gutierrez mantinha contato constante com a ex-diretora Anna Saicali e também com Sicupira. A percepção de Abrate é que Gutierrez e Saicali "sabiam de tudo" e que Sicupira, em sua visão, também tinha ciência das práticas irregulares.
Embora as declarações de Abrate apontem para o conhecimento de Sicupira sobre as irregularidades, o Ministério Público Federal (MPF) não o denunciou quando apresentou a ação penal contra 13 ex-executivos e ex-funcionários da Americanas em março de 2025. Naquela ocasião, o MPF argumentou que o conselho de administração e os acionistas de referência foram induzidos a erro pela antiga diretoria. Agora, a Polícia Federal busca aprofundar a investigação para esclarecer se membros do grupo controlador e outros investigados tinham ciência das supostas manipulações contábeis. Tais manipulações, relacionadas às operações de risco sacado e verbas de propaganda cooperada (VPC), teriam sido usadas para dissimular a situação financeira real da Americanas, afetando a dignidade de milhares de colaboradores e a confiança do mercado.
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