FUGA DA POUPANÇA
BC confirma saída de R$ 476 milhões da Poupança em abril
Nos primeiros 4 meses de 2026, a caderneta já acumula R$ 41,7 bilhões em retiradas. Saques superam depósitos pelo 3º ano consecutivo, impactando milhões de brasileiros.
Milhões de brasileiros retiraram R$ 476,4 milhões da caderneta de poupança em abril, conforme relatório divulgado pelo Banco Central nesta quinta-feira, 08 de maio de 2026. O montante representa mais saques do que depósitos pelo terceiro ano consecutivo, evidenciando a busca da população por investimentos com melhor rentabilidade diante da manutenção da taxa Selic em patamares elevados. Essa movimentação reflete um cenário econômico desafiador e impacta diretamente o poder de compra e o planejamento financeiro das famílias.
No mês passado, brasileiros aplicaram R$ 362,2 bilhões na caderneta, mas sacaram um volume ainda maior, de R$ 362,7 bilhões. As contas de poupança, por sua vez, receberam R$ 6,3 bilhões em rendimentos, elevando o saldo total da aplicação para pouco mais de R$ 1 trilhão.
A tendência de saques superando depósitos na poupança não é recente. Em 2023 e 2024, as retiradas líquidas atingiram R$ 87,8 bilhões e R$ 15,5 bilhões, respectivamente. No ano passado, o saldo negativo da poupança fechou em R$ 85,6 bilhões. Nos primeiros 4 meses deste ano, a caderneta já acumula R$ 41,7 bilhões em retiradas líquidas. Este cenário é fortemente influenciado pela manutenção da Selic, a taxa básica de juros, em alta, o que estimula a procura por aplicações financeiras com melhor desempenho no mercado.
TAXA SELIC E INFLAÇÃO
Na última reunião, realizada em abril, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central promoveu um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, estabelecendo-a em 14,5% ao ano. Apesar das tensões geopolíticas, como a guerra no Oriente Médio, e das expectativas de inflação em alta, a autoridade monetária prosseguiu com o ciclo de redução da taxa básica. Contudo, não forneceu indicações claras sobre a futura evolução dos juros.
A Selic é a principal ferramenta do Banco Central para garantir que a meta de 3% para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que é a referência oficial da inflação no país, seja cumprida. Quando o Copom eleva a taxa básica de juros, o objetivo é controlar a demanda aquecida, o que impacta os preços, pois juros mais altos encarecem o crédito e incentivam a poupança.
Em março, a inflação oficial do mês fechou em 0,88%, impulsionada pela alta dos preços nos setores de transportes e alimentação, superando os 0,7% registrados em fevereiro. O IPCA acumulado nos últimos 12 meses alcançou 4,14%, conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A inflação de abril será divulgada pelo IBGE na próxima terça-feira, 12 de maio.
Este texto foi publicado originalmente pela Agência Brasil, em 08 de maio de 2026, às 11h24. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.
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