FUGA DA POUPANÇA

BC confirma saída de R$ 476 milhões da Poupança em abril

Os pedidos de recuperação judicial, que podem abranger mais de uma empresa cada, somaram 977 no ano passado
Os pedidos de recuperação judicial, que podem abranger mais de uma empresa cada, somaram 977 no ano passado

Nos primeiros 4 meses de 2026, a caderneta já acumula R$ 41,7 bilhões em retiradas. Saques superam depósitos pelo 3º ano consecutivo, impactando milhões de brasileiros.

Milhões de brasileiros retiraram R$ 476,4 milhões da caderneta de poupança em abril, conforme relatório divulgado pelo Banco Central nesta quinta-feira, 08 de maio de 2026. O montante representa mais saques do que depósitos pelo terceiro ano consecutivo, evidenciando a busca da população por investimentos com melhor rentabilidade diante da manutenção da taxa Selic em patamares elevados. Essa movimentação reflete um cenário econômico desafiador e impacta diretamente o poder de compra e o planejamento financeiro das famílias.

No mês passado, brasileiros aplicaram R$ 362,2 bilhões na caderneta, mas sacaram um volume ainda maior, de R$ 362,7 bilhões. As contas de poupança, por sua vez, receberam R$ 6,3 bilhões em rendimentos, elevando o saldo total da aplicação para pouco mais de R$ 1 trilhão.

A tendência de saques superando depósitos na poupança não é recente. Em 2023 e 2024, as retiradas líquidas atingiram R$ 87,8 bilhões e R$ 15,5 bilhões, respectivamente. No ano passado, o saldo negativo da poupança fechou em R$ 85,6 bilhões. Nos primeiros 4 meses deste ano, a caderneta já acumula R$ 41,7 bilhões em retiradas líquidas. Este cenário é fortemente influenciado pela manutenção da Selic, a taxa básica de juros, em alta, o que estimula a procura por aplicações financeiras com melhor desempenho no mercado.

TAXA SELIC E INFLAÇÃO

Na última reunião, realizada em abril, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central promoveu um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, estabelecendo-a em 14,5% ao ano. Apesar das tensões geopolíticas, como a guerra no Oriente Médio, e das expectativas de inflação em alta, a autoridade monetária prosseguiu com o ciclo de redução da taxa básica. Contudo, não forneceu indicações claras sobre a futura evolução dos juros.

A Selic é a principal ferramenta do Banco Central para garantir que a meta de 3% para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que é a referência oficial da inflação no país, seja cumprida. Quando o Copom eleva a taxa básica de juros, o objetivo é controlar a demanda aquecida, o que impacta os preços, pois juros mais altos encarecem o crédito e incentivam a poupança.

Em março, a inflação oficial do mês fechou em 0,88%, impulsionada pela alta dos preços nos setores de transportes e alimentação, superando os 0,7% registrados em fevereiro. O IPCA acumulado nos últimos 12 meses alcançou 4,14%, conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A inflação de abril será divulgada pelo IBGE na próxima terça-feira, 12 de maio.

Este texto foi publicado originalmente pela Agência Brasil, em 08 de maio de 2026, às 11h24. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.

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