PERIGO PARA ANIMAIS

Barulho de fogos de artifício causa sofrimento e risco de morte a pets, alertam veterinários

Cachorro assustado com fogos de artifício
Barulho de fogos de artifício pode causar danos e levar até à morte de cães e gatos

O ruído dos fogos, intensificado por festas juninas e Copa do Mundo, pode levar cães e gatos a traumas graves, fugas e até óbito, especialmente os mais idosos ou com comorbidades.

O barulho ensurdecedor dos fogos de artifício, um acompanhamento comum de celebrações como as festas juninas e a Copa do Mundo, representa um risco iminente à saúde e à vida de cães e gatos. A médica veterinária Tabita Freire explica que a audição desses animais é significativamente mais sensível que a humana, tornando o estrondo uma fonte de intenso sofrimento, podendo desencadear uma série de problemas de saúde e, em casos extremos, levar à morte, sobretudo em animais com comorbidades preexistentes.

A sensibilidade auditiva dos cães é cerca de duas vezes superior à dos humanos, enquanto nos gatos essa capacidade chega a ser quatro a cinco vezes maior. Esse fator, somado à natureza repentina e imprevisível das explosões – que os animais não conseguem antecipar –, gera ansiedade e medo extremos. O clarão repentino dos fogos agrava o pânico, pois os animais não compreendem a origem ou a natureza dos eventos.

Cachorro assustado com fogos de artifício

Essas reações extremas podem culminar em fugas desesperadas, com animais pulando muros, rasgando cercas ou tentando escapar por qualquer abertura. O risco de atropelamento na rua é uma das principais causas de morte. Animais presos também podem se enforcar na coleira em sua tentativa de fuga. Em idosos e animais cardiopatas, o medo pode desencadear taquicardia, apneia e salivação excessiva, evoluindo para convulsões, mais comuns em animais epilépticos ou idosos.

A médica veterinária ressalta que os traumas físicos decorrentes do desespero são inúmeros, incluindo fraturas, lacerações e quedas de altura. Essa sensibilidade aguçada pode ter origem genética, com alguns pets apresentando predisposição a fobias e ansiedades específicas.

Médica veterinária explicando os perigos dos fogos de artifício para animais

Lei Municipal de Natal ignora o sofrimento animal

Desde outubro de 2024, Natal possui a Lei Municipal nº 783/2024, que proíbe fogos de artifício com estampido, permitindo apenas aqueles com efeitos visuais e sem ruído. A legislação, que prevê multas para infratores, visa proteger tanto animais quanto pessoas autistas e idosos. No entanto, a fiscalização e a conscientização pública ainda enfrentam desafios para sua plena aplicação.

Recentemente, o Procon Natal, com apoio da Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e das secretarias municipais de Serviços Urbanos (Semsur) e Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), realizou uma operação de fiscalização e orientação a comerciantes de fogos de artifício. Durante a ação nas zonas Norte e Sul da capital, produtos vencidos foram apreendidos e seus responsáveis autuados.

Como proteger os pets?

A prevenção é a chave para minimizar o sofrimento dos animais. Recomenda-se preparar o ambiente fechando portas e janelas, abafando o ruído com a TV ligada em volume mais alto e criando um local seguro e escondido para o pet se acomodar. Manter a rotina do animal, incluindo passeios antes dos momentos de maior ruído, também é importante. Durante os fogos, é crucial manter a calma e deixar o animal procurar conforto perto do tutor, sem forçar o contato.

Filhotes, com sistema nervoso imaturo, e idosos, com comorbidades como cardiopatias ou disfunção cognitiva (semelhante ao Alzheimer humano), são particularmente vulneráveis. O estresse pode agravar patologias preexistentes em animais idosos.

A médica veterinária Tabita Freire relata ter atendido casos graves como convulsões, edema pulmonar, arritmias severas e até ruptura de traqueia, especialmente em períodos de jogos da seleção brasileira de futebol, como na estreia na Copa do Mundo Fifa neste sábado, 13 de junho de 2026.

O uso preventivo de medicamentos, sob orientação veterinária, é uma opção para animais que reagem de forma recorrente ou já sofreram incidentes. A medicação pode ser iniciada dias antes e estendida após o término dos eventos de barulho.

Em gatos, os sinais de estresse incluem retraimento, pupilas dilatadas, agressividade e busca por locais incomuns para se esconder. Mudanças comportamentais, como buscar proximidade excessiva ou um afastamento repentino, também podem indicar ansiedade.

Já em cães, os sinais mais comuns são tremores, orelhas baixas, rabo entre as pernas, inquietação e latidos desesperados. Gatos podem emitir miados agudos e salivar excessivamente. Sinais de alerta como ofegância intensa, arranhões em portas e janelas e tremores acentuados exigem atenção.

Em casos de emergência, como língua roxa, dificuldade respiratória, perda de força ou desorientação, é fundamental procurar atendimento veterinário imediato. Convulsões são sempre uma emergência que requer ida ao hospital.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário