SAÚDE DA MULHER

Barreiras ao parto normal no Brasil: estudo do Unicef aponta desafios

Mulher grávida recebendo orientações sobre saúde durante o pré-natal.
Pesquisa do Unicef aponta necessidade de fortalecer redes de apoio e qualificar o pré-natal para promover o parto respeitoso.

Pesquisa inédita revela que, apesar da alta preferência pelo parto natural, fatores sociais e estruturais induzem a cesarianas sem indicação clínica no Brasil.

Uma grande parcela das mulheres brasileiras deseja vivenciar o parto normal, mas enfrenta uma realidade estrutural que prioriza a via cirúrgica. Em estudo inédito divulgado nesta segunda-feira, 13 de julho de 2026, o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) analisou as barreiras que impedem gestantes de concretizarem a escolha pelo parto vaginal, procedimento que, embora preferido por 7 a cada 10 brasileiras no início da gestação, segundo dados da FioCruz (Fundação Oswaldo Cruz), é frequentemente substituído por cesarianas sem necessidade médica.

O peso das influências sociais

A pesquisa intitulada “Já decidiu sobre o parto? Influências e barreiras na decisão da via de nascimento entre gestantes” demonstra que a jornada até o nascimento é impactada por um complexo ecossistema de pressões. Entre os obstáculos identificados estão orientações superficiais, a exclusão do parceiro no pré-natal e o acesso restrito a métodos de alívio da dor, como a analgesia. O medo do desconforto, somado à falta de conhecimento sobre o Plano de Parto, faz com que a cesárea seja interpretada por muitas como a alternativa mais segura ou prática.

“O nosso desafio não é convencer as mulheres, mas garantir as condições para que elas possam fazer escolhas informadas e viver um parto seguro e respeitoso”, afirma Luciana Phebo, chefe de Saúde e Nutrição do Unicef no Brasil. Para a especialista, a promoção de um parto humanizado protege não apenas a autonomia da mulher, mas assegura ao recém-nascido um início de vida mais saudável.

Fatores estruturais e econômicos

O estudo, que ouviu gestantes e profissionais de saúde em Belém, no Pará, e São Paulo, aponta que o modelo de assistência também joga contra o parto normal. No setor privado, incentivos econômicos e a previsibilidade da agenda médica dificultam a oferta do parto vaginal. Já no SUS (Sistema Único de Saúde), a cultura familiar e a pressão de parentes próximos possuem um peso significativo, muitas vezes reforçando mitos sobre o nascimento.

Caminhos para a mudança

Para reverter esse cenário, o Unicef recomenda uma atuação conjunta do poder público e das redes de saúde baseada em:

  • Qualificar o pré-natal com informações transparentes sobre direitos e Plano de Parto;
  • Incluir parceiros nas orientações e ampliar o apoio de doulas;
  • Mobilizar redes de apoio, como mães e avós, com informações seguras;
  • Revisar modelos de remuneração médica que desestimulam o parto vaginal;
  • Ampliar o acesso à analgesia e métodos não farmacológicos para controle da dor.

A iniciativa, que contou com apoio da iniciativa MSD para Mães, também lançou a campanha “Parto normal. Uma escolha que merece respeito”, reforçando que o atendimento qualificado é a ferramenta principal para assegurar o direito à escolha da gestante.

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