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Banco do Brasil ajusta lucro após forte queda no 1º tri

Sede do Banco do Brasil em Brasília
Sede do Banco do Brasil, em Brasília — Foto: Adriano Machado/Reuters

Projeção para 2026 agora varia entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões. Custo de crédito também é elevado.

Na quarta-feira, 13 de maio de 2026, o Banco do Brasil anunciou uma significativa revisão em suas projeções de lucro para o ano de 2026, agora estimadas entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões. A medida foi tomada após o banco registrar uma queda superior a 50% no lucro líquido ajustado do primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período de 2025. Essa reavaliação estratégica aponta para um cenário econômico mais adverso, com repercussões diretas para investidores e para a vitalidade de setores-chave da economia brasileira, como o agronegócio, que dependem fortemente do crédito da instituição.

O lucro líquido ajustado do BB entre janeiro e março de 2026 atingiu R$ 3,4 bilhões, configurando uma retração de 53,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025. O resultado ficou ligeiramente abaixo das expectativas do mercado, que, conforme compilações da LSEG, apontavam um lucro de R$ 3,495 bilhões. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, o recuo foi de 40,2%.

A instituição financeira também elevou sua projeção para o custo de crédito em 2026, que agora deve variar entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões. Nos primeiros três meses deste ano, esse indicador já alcançou quase R$ 18,9 bilhões, representando um aumento de 85,8% em base anual e de 5% frente ao trimestre precedente.

A presidente-executiva do banco, Tarciana Medeiros, explicou que o desempenho reflete um contexto de maior dificuldade para a oferta de crédito, com uma pressão mais acentuada, sobretudo, na carteira destinada ao agronegócio. Essa situação ressalta a importância da gestão de riscos e do apoio aos produtores rurais.

No final de março de 2026, a carteira de crédito expandida do Banco do Brasil somava R$ 1,3 trilhão, um crescimento de 2,2% em comparação anual e de 0,7% frente ao final de dezembro de 2025. Contudo, o índice de inadimplência superior a 90 dias alcançou 5,05%, uma alta significativa em relação aos 3,63% registrados um ano antes, embora tenha apresentado leve melhora frente aos 5,17% de dezembro de 2025.

No segmento rural, a carteira de crédito, totalizando R$ 418,4 bilhões (com alta de 3% tanto anual quanto trimestral), registrou um índice de inadimplência acima de 90 dias de 6,22%. Esse valor contrasta com os 2,76% de um ano antes e os 6,09% dos últimos três meses de 2025, destacando a linha de custeio com um índice preocupante de 10,56%. Como principal agente financiador do agronegócio no país, o BB tem enfrentado pressão crescente do setor desde o ano passado.

Tarciana Medeiros detalhou as estratégias adotadas para mitigar o cenário de inadimplência no agronegócio. Em nota à imprensa, a executiva afirmou: “Entre as medidas para enfrentar o ciclo de agravamento da inadimplência do agronegócio, ampliamos e evoluímos no uso de garantias por alienação fiduciária e revisamos as esteiras de cobranças. Nos primeiros meses de 2026, já dobramos o número de judicializações realizadas durante todo o ano passado. Isso reflete o nosso direcionamento de buscar a recuperação dos nossos ativos”.

No crédito à pessoa física, a carteira expandida cresceu 1,4% no trimestre e 7,7% em 12 meses, alcançando R$ 361,8 bilhões, impulsionada principalmente pelo desempenho do crédito consignado, incluindo operações do “Crédito ao Trabalhador”. Apesar disso, a inadimplência da pessoa física acima de 90 dias ficou em 6,82%, frente a 5,10% um ano antes e 6,56% em dezembro de 2025.

Para a pessoa jurídica, o portfólio de crédito expandido somou R$ 449 bilhões, com quedas de 2,4% no ano e 1,3% no trimestre, impactado negativamente pela carteira de micro, pequenas e médias empresas, que apresentou retração de 10% em 12 meses e de 3,3% na comparação com o final do ano passado. A carteira de grandes empresas também registrou recuo de 1,9% na base anual e de 1,5% no trimestre. O índice de inadimplência acima de 90 dias para esse segmento encerrou março de 2026 em 2,87%, melhor que os 3,71% de um ano antes e os 3,75% do final de 2025.

Margem Financeira e ROE

A margem financeira bruta do BB atingiu R$ 27,4 bilhões nos primeiros três meses de 2026, um aumento de 14,8% em base anual, impulsionada pelo avanço das receitas financeiras (+12,3%). Contudo, na comparação trimestral, houve uma ligeira queda de 1,3%, atribuída pelo banco à sazonalidade do período, influenciada por menores volumes de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e pelo efeito calendário, com três dias úteis a menos.

Para o ano, o Banco do Brasil revisou sua expectativa de crescimento da margem bruta para um intervalo entre 7% e 11%, ante a projeção anterior de 4% a 8%. Medeiros salientou que a evolução da margem financeira é resultado do crescimento do crédito, especialmente em linhas com melhor relação risco versus retorno, com foco na pessoa física via crédito consignado e consignado privado. A executiva reforçou ainda que as despesas permanecem controladas, “sem comprometer nossos investimentos em tecnologia e nas pessoas”.

As receitas de prestação de serviços cresceram 5,5% em base anual no primeiro trimestre, mas mantiveram-se estáveis (-0,2%) na base trimestral, totalizando R$ 8,8 bilhões. As despesas administrativas também avançaram 5,5% ano a ano e 1,3% no trimestre, atingindo R$ 10 bilhões.

O Retorno Sobre o Patrimônio Líquido (ROE) do BB, por sua vez, ficou em 7,3%, uma redução frente aos 16,7% de um ano antes e os 12,4% dos últimos três meses de 2025. Apesar da queda, o resultado ficou ligeiramente acima das previsões da LSEG, que apontavam 6,98%.

O BB encerrou o trimestre com um índice de Basileia de 14,23%, sendo o índice de capital principal de 11,59%. O índice de eficiência foi de 28%, comparado a 26,5% um ano antes.

Ao final de março de 2026, o total de ativos do banco somava R$ 2,6 trilhões. A rede de atendimento contava com 3.942 agências, um número ligeiramente menor que as 3.955 de dezembro de 2025 e as 3.997 do mesmo período de 2025.

Em uma decisão paralela, o Banco do Brasil também informou, na quarta-feira, 13 de maio de 2026, a aprovação da distribuição de R$ 465,7 milhões em remuneração aos acionistas, sob a forma de Juros sobre Capital Próprio (JCP), referentes ao primeiro trimestre de 2026. Os valores serão pagos em 11 de junho de 2026, tendo como base a posição acionária registrada em 1º de junho de 2026.

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