DESVIO MILIONÁRIO

Polícia Federal investiga esquema fraudulento no Banco Digimais

Fachada de um prédio bancário com a logomarca do Banco Digimais.
Operação Miragem visa desarticular esquema fraudulento contra o Sistema Financeiro Nacional. Crédito: Polícia Federal/Divulgação

Ação apura manipulação de balanços e ocultação de valores. Justiça autoriza bloqueio de bens e afastamento de sigilo para recuperar R$ 670 milhões.

Nesta terça-feira, 23/06/2026, o Banco Digimais, instituição financeira ligada ao bispo Edir Macedo, tornou-se o foco da Operação Miragem. A ação, deflagrada pela Polícia Federal, visa desarticular um esquema complexo de fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional. As apurações buscam combater crimes que, segundo investigações iniciais, podem ter causado prejuízos milionários, impactando a confiança no mercado e a estabilidade de milhares de clientes.

Mais de 50 policiais federais cumprem, em São Paulo, nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal. A decisão judicial também autorizou o afastamento do sigilo bancário e fiscal dos investigados. Foi determinado o sequestro e bloqueio de bens no valor de até R$ 670.348.945,70, medida essencial para a recuperação de valores possivelmente desviados e para garantir a reparação dos danos à dignidade financeira dos clientes e à ordem econômica.

Relatórios do Banco Central do Brasil, obtidos pela Polícia Federal, indicaram graves irregularidades na gestão do Banco Digimais. As investigações apontam para manipulação sistemática de balanços e resultados contábeis. O objetivo teria sido ocultar a real situação financeira da instituição, transmitindo uma falsa imagem de solvência perante os órgãos de controle, o que afeta diretamente a segurança das economias depositadas.

Essas práticas teriam permitido a supervalorização artificial de ativos e a geração de receitas fictícias, totalizando centenas de milhões de reais. Apurações também indicam operações financeiras possivelmente ilegais em benefício da empresa controladora do banco, além da falsificação e manipulação de informações em sistemas oficiais do órgão regulador, minando a transparência e a confiança no sistema bancário.

O Banco Digimais, que informa ter 150 mil clientes e mais de R$ 1 bilhão em empréstimos, iniciou suas operações em 1981. Em 2009, associou-se ao Grupo Record e, em 2020, foi adquirido pelo grupo televisivo. Dados de 2025 indicam que cerca de 70% de seus clientes estão na região Sudeste, com maioria feminina (63,1%). A carteira de crédito é focada em financiamento de veículos (52%) e crédito consignado (42%), com convênios relevantes com a Prefeitura de São Paulo (60%) e o governo de São Paulo (25%), demonstrando a capilaridade da instituição na vida financeira de muitos cidadãos.

A CNN Brasil buscou contato com o Banco Digimais para obter um posicionamento sobre as investigações. O espaço permanece aberto para manifestações.

*Com informações de Elijonas Maia, da CNN.

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