ALERTA ECONÔMICO
Banco Central prevê inflação acima da meta até fim de 2026 e admite nova carta aberta
Com projeções indicando que a inflação fechará o ano ultrapassando o teto de 4,5%, a autoridade monetária precisará justificar o descumprimento da meta pela segunda vez. Guerra no Oriente Médio é apontada como principal fator.
O Banco Central (BC) divulgou nesta quinta-feira, 25/06/2026, que a inflação acumulada em 12 meses permanecerá acima do teto do sistema de metas até o final deste ano. Essa projeção indica que a autoridade monetária terá que emitir uma nova carta aberta ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, para justificar o descumprimento do objetivo fixado por lei.
Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, com variação permitida entre 1,50% e 4,50%. A regra estabelece que o BC deve redigir uma carta aberta ao ministro da Fazenda sempre que houver estouro da meta por seis meses consecutivos.

Em 12 meses até maio de 2026, a inflação oficial atingiu 4,72%, superando o teto de 4,5% estabelecido pelo sistema de metas brasileiro, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para os períodos de 12 meses encerrados em junho e setembro, o Banco Central projeta uma inflação de 4,8%. Ao final de 2026, a expectativa é de 5,2%. A projeção é que os índices retornem aos limites aceitáveis apenas no segundo trimestre de 2027, com a expectativa para o ano fechado em 4%.
Diante da persistência da inflação acima de 4,5% até o fim do ano, o BC antecipa a necessidade de enviar uma carta aberta ao ministro da Fazenda em novembro, pois o estouro da meta teria completado seis meses em outubro.
Essa situação impacta diretamente o poder de compra da população, especialmente dos mais vulneráveis. O aumento generalizado dos preços, sem o acompanhamento proporcional dos salários, corrói o valor do dinheiro e dificulta o acesso a bens e serviços essenciais.

A escalada inflacionária em 2026 é atribuída, em grande parte, à guerra no Oriente Médio, que elevou os preços do petróleo e, consequentemente, pressionou a inflação brasileira, especialmente nos combustíveis. O barril de petróleo, que operou próximo a US$ 100 nos meses anteriores, recuou para cerca de US$ 75 nesta quinta-feira (25), após um acordo de paz anunciado entre os Estados Unidos e o Irã.
Em resposta aos impactos do conflito, o governo implementou medidas para mitigar a alta dos combustíveis, incluindo a redução de tributos e a concessão de subsídios.
O cenário de instabilidade gerado pelo conflito levou economistas do mercado financeiro a revisar para cima suas projeções de inflação, que alcançaram 5,33% na semana anterior. Além disso, as expectativas para os cortes de juros em 2026 foram reduzidas.
O próprio Banco Central alertou que, em um ambiente de atividade econômica aquecida e mercado de trabalho aquecido, a inflação elevada no trimestre também se deve ao conflito no Oriente Médio, com repercussão nos combustíveis. A instituição observou um aumento acentuado nas expectativas de inflação para 2026 e uma ampliação do descolamento das metas para 2027 e 2028.
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