ALERTA ECONÔMICO

Banco Central prevê inflação acima da meta até fim de 2026 e admite nova carta aberta

Sede do Banco Central em Brasília
Sede do Banco Central em Brasília — Foto: Raphael Ribeiro/BCB

Com projeções indicando que a inflação fechará o ano ultrapassando o teto de 4,5%, a autoridade monetária precisará justificar o descumprimento da meta pela segunda vez. Guerra no Oriente Médio é apontada como principal fator.

O Banco Central (BC) divulgou nesta quinta-feira, 25/06/2026, que a inflação acumulada em 12 meses permanecerá acima do teto do sistema de metas até o final deste ano. Essa projeção indica que a autoridade monetária terá que emitir uma nova carta aberta ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, para justificar o descumprimento do objetivo fixado por lei.

Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, com variação permitida entre 1,50% e 4,50%. A regra estabelece que o BC deve redigir uma carta aberta ao ministro da Fazenda sempre que houver estouro da meta por seis meses consecutivos.

Sede do Banco Central em Brasília
Sede do Banco Central em Brasília — Foto: Raphael Ribeiro/BCB

Em 12 meses até maio de 2026, a inflação oficial atingiu 4,72%, superando o teto de 4,5% estabelecido pelo sistema de metas brasileiro, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para os períodos de 12 meses encerrados em junho e setembro, o Banco Central projeta uma inflação de 4,8%. Ao final de 2026, a expectativa é de 5,2%. A projeção é que os índices retornem aos limites aceitáveis apenas no segundo trimestre de 2027, com a expectativa para o ano fechado em 4%.

Diante da persistência da inflação acima de 4,5% até o fim do ano, o BC antecipa a necessidade de enviar uma carta aberta ao ministro da Fazenda em novembro, pois o estouro da meta teria completado seis meses em outubro.

Essa situação impacta diretamente o poder de compra da população, especialmente dos mais vulneráveis. O aumento generalizado dos preços, sem o acompanhamento proporcional dos salários, corrói o valor do dinheiro e dificulta o acesso a bens e serviços essenciais.

Navio de guerra dos EUA observa navio comercial iraniano
Soldado observa navio comercial iraniano M/V Touska a partir de navio de guerra dos EUA durante bloqueio marítimo no Oriente Médio em 20 de abril de 2026. — Foto: Divulgação/Marinha dos EUA

A escalada inflacionária em 2026 é atribuída, em grande parte, à guerra no Oriente Médio, que elevou os preços do petróleo e, consequentemente, pressionou a inflação brasileira, especialmente nos combustíveis. O barril de petróleo, que operou próximo a US$ 100 nos meses anteriores, recuou para cerca de US$ 75 nesta quinta-feira (25), após um acordo de paz anunciado entre os Estados Unidos e o Irã.

Em resposta aos impactos do conflito, o governo implementou medidas para mitigar a alta dos combustíveis, incluindo a redução de tributos e a concessão de subsídios.

O cenário de instabilidade gerado pelo conflito levou economistas do mercado financeiro a revisar para cima suas projeções de inflação, que alcançaram 5,33% na semana anterior. Além disso, as expectativas para os cortes de juros em 2026 foram reduzidas.

O próprio Banco Central alertou que, em um ambiente de atividade econômica aquecida e mercado de trabalho aquecido, a inflação elevada no trimestre também se deve ao conflito no Oriente Médio, com repercussão nos combustíveis. A instituição observou um aumento acentuado nas expectativas de inflação para 2026 e uma ampliação do descolamento das metas para 2027 e 2028.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário