RISCO GLOBAL AUMENTA
Autoridades do Fed alertam: corte de juros não é mais viável
Preço do petróleo e guerra entre EUA e Irã elevam incertezas, indicando que juros podem subir ao invés de cair.
Autoridades influentes do Federal Reserve, incluindo Beth Hammack e Neel Kashkari, emitiram nesta sexta-feira, 01 de maio de 2026, um alerta contundente: o banco central dos Estados Unidos deve abandonar seu viés de corte nas taxas de juros. A decisão de manter as taxas inalteradas nesta semana, mas com uma indicação para futuras reduções, foi criticada por esses membros, que apontam para o aumento das pressões inflacionárias e os riscos crescentes de um choque nos preços do petróleo, intensificado pela guerra entre os Estados Unidos e o Irã. A mudança na política é crucial para a economia global, pois juros mais altos podem impactar diretamente o custo de vida, o emprego e o poder de compra da população.
A última votação do Fed, uma das mais divididas desde 1992, resultou na manutenção da taxa de juros de referência entre 3,50% e 3,75%. Contudo, o comunicado oficial preservou a linguagem que sugeria um eventual corte, alinhando-se a um plano iniciado há cerca de dezoito meses para reduzir os custos de empréstimos, antes elevados para combater a inflação.
Apesar dessa postura, a inflação persiste significativamente acima da meta de 2% do Fed e tem mostrado uma tendência de alta. A incerteza geopolítica, especialmente os desdobramentos da guerra, levanta sérias dúvidas sobre a viabilidade de reduzir os juros. Alguns membros da instituição, inclusive, já manifestam preocupação com a necessidade de um possível aumento.
"As pressões inflacionárias permanecem generalizadas, e a escalada nos preços do petróleo adiciona uma nova camada de pressão", afirmou a presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack. Ela, juntamente com outros dois colegas, apoiou a manutenção das taxas, mas discordou veementemente do "viés de afrouxamento" presente na comunicação oficial.
Hammack foi enfática: "Considero que essa inclinação para o afrouxamento monetário não é mais adequada, dadas as perspectivas econômicas atuais."
A preocupação é compartilhada pelo presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari. Ele expressou que um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz ou quaisquer danos à infraestrutura energética do Oriente Médio poderiam desencadear um choque de preços de magnitude tal que o Fed se veria forçado a implementar "potencialmente uma série" de aumentos nos juros, a fim de controlar as expectativas inflacionárias.
"Com o fechamento prolongado do Estreito de Ormuz e potenciais danos adicionais à infraestrutura de energia e commodities no Oriente Médio (...), a onda de choque de preços pode ser muito maior do que o atualmente previsto", alertou Kashkari em comunicado separado.
Ele concluiu, ressaltando o impacto potencial: "Provavelmente, teríamos que adotar uma resposta de política monetária robusta. Aumentos na taxa de juros, talvez uma sequência deles, poderiam ser justificados mesmo diante do risco de um enfraquecimento adicional no mercado de trabalho."
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