DIGNIDADE INFANTIL EM RISCO
Auditoria-Fiscal do Trabalho afasta 142 adolescentes de trabalho infantil em fábricas de calçados no RS
Ação conjunta identificou jovens em atividades proibidas e insalubres, como operação de máquinas e exposição a químicos. Ministério do Trabalho e Emprego determinará sanções às empresas e encaminhará os menores à rede de proteção.
Um contingente de 142 adolescentes foi retirado de situações de trabalho infantil em fábricas de calçados localizadas na Região Metropolitana de Porto Alegre, RS. A decisão, tomada pela Auditoria-Fiscal do Trabalho, vinculada à Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), visa proteger a dignidade e a saúde de jovens expostos a atividades proibidas para menores de 18 anos. A operação, realizada entre os dias 8 e 12 de junho de 2026, abrangeu as cidades de Sapiranga, Rolante, Parobé e Igrejinha, com resultados divulgados nesta quarta-feira, 17/06/2026.
A fiscalização, que inspecionou 67 empresas, revelou que 82% dos locais apresentavam irregularidades relacionadas ao trabalho infantil. Adolescentes entre 12 e 17 anos foram flagrados em atividades de alto risco, como a operação de máquinas motorizadas e em movimento, exposição a solventes, adesivos e outros produtos químicos nocivos, além do manuseio de objetos cortantes e carregamento de peso acima dos limites legais. Essas práticas são consideradas as piores formas de trabalho infantil, conforme o Decreto nº 6.481/2008.
Entre os casos mais alarmantes, destacam-se duas adolescentes de 12 e 13 anos expostas a solventes e colas à base de hidrocarbonetos. A adolescente de 13 anos também operava uma prensa. Outros 55 adolescentes trabalhavam em ambientes com ruído excessivo ou manuseavam instrumentos perfurocortantes.
As empresas onde o trabalho infantil foi constatado serão autuadas. Além das sanções administrativas, os 142 adolescentes afastados serão encaminhados à rede de proteção à infância e à adolescência, com atenção especial aos 33 estudantes que estavam fora da escola.
A operação da Auditoria-Fiscal do Trabalho reforça a importância da fiscalização para garantir os direitos fundamentais de crianças e adolescentes, assegurando-lhes o direito à educação, ao lazer e a um desenvolvimento seguro e saudável, livre da exploração laboral.
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