RISCO DE ROMBO

Auditoria aponta risco de rombo em transação de R$ 741 milhões do Banco Digimais

Banco Digimais e Edir Macedo.
Imagem colorida mostra Banco Digimais e Edir Macedo.

Investigação da Polícia Federal, deflagrada nesta terça-feira (23/6), apura transação entre o Banco Digimais e sua empresa controladora. Auditoria independente já alertava para operações "fora das condições usuais de mercado".

Uma auditoria independente identificou, antes da operação da Polícia Federal (PF) deflagrada nesta terça-feira, 23 de junho de 2026, o risco de um rombo em uma transação de R$ 741 milhões entre o Banco Digimais e a empresa que o controla. A operação da PF cumpriu nove mandados de busca e apreensão contra alvos ligados à instituição financeira.

O dono do banco, bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, embora não tenha sido alvo direto dos mandados por residir no exterior, teve o sigilo quebrado e bens bloqueados pela Justiça. Ao todo, foram congelados mais de R$ 670 milhões de dez investigados. A PF apura se o banco utilizava uma estrutura para inflar artificialmente ativos e fabricar receitas contábeis, mascarando sua real situação financeira e apresentando uma aparente solvência a órgãos reguladores e ao mercado.

Os riscos financeiros já eram evidentes a partir de uma auditoria divulgada junto ao balanço da B.A. Empreendimentos e Participações S.A., controladora do banco. A empresa viu seus ativos saltarem de R$ 785 milhões em 2024 para cerca de R$ 1,8 bilhão em 2025, impulsionados por uma operação considerada suspeita realizada no final de 2025. Na transação, a controladora adquiriu do Digimais R$ 741 milhões em cotas do fundo Hermon FIDC-NP.

Os auditores destacaram em sua análise que a compra do fundo "não reflete condições usuais de mercado", pois sua remuneração não era condizente e o pagamento dependia de aportes dos próprios controladores. Essa movimentação sugere uma potencial inflação artificial dos ativos da empresa. A investigação da PF corrobora essa percepção, uma vez que as mesmas cotas custaram apenas R$ 71 milhões ao Digimais. O ativo está ligado a créditos de um processo judicial de 1967 contra a União, referente à estatização da antiga Companhia Brasileira de Mineração e Siderurgia, hoje Vale S.A.

A operação teria servido para contornar uma determinação do Banco Central (BC), que instruiu o banco a reverter a valorização artificial desses ativos. Com a venda para a controladora, o Banco Digimais manteve o valor fictício em seu balanço, classificado como "valores a receber do controlador".

A controladora possui R$ 821 milhões em participações no Banco Digimais. Contudo, a auditoria já indicava incertezas sobre a continuidade operacional do banco. O documento revelou que, de R$ 4 bilhões em fundos, a instituição detinha R$ 3 bilhões sem auditoria.

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