ACORDO EM RISCO
Ataques em Líbano adiam acordo EUA-Irã e elevam tensão no Oriente Médio
Combates entre Israel e Hezbollah e adiamento de negociações na Suíça abalam entendimento provisório entre Washington e Teerã. O conflito já deixou dezenas de mortos.
O acordo provisório firmado entre Estados Unidos e Irã para interromper a guerra no Oriente Médio foi colocado em xeque nesta sexta-feira, 19/06/2026, após uma escalada de violência entre as forças de Israel e o grupo extremista Hezbollah. A decisão de adiar uma rodada de conversas técnicas prevista para ocorrer na Suíça, somada aos confrontos diretos, levanta sérias dúvidas sobre a continuidade do entendimento.
Na sexta-feira, quatro soldados israelenses foram mortos em uma ofensiva do Hezbollah, descrita por Tel Aviv como uma das mais letais já realizadas pela organização xiita desde o início do conflito. Em resposta, bombardeios atribuídos a Israel causaram a morte de pelo menos 18 pessoas em território libanês, segundo o Ministério da Saúde do Líbano. As ações militares intensificaram a preocupação internacional, com a França solicitando a Washington que pressione Israel a cessar as hostilidades no Líbano.
O entendimento entre Washington e Teerã, assinado no último domingo, 14/06/2026, prevê o fim das operações militares de todas as partes envolvidas no conflito do Oriente Médio, incluindo a frente libanesa. Embora tenha havido uma diminuição temporária da violência no início da semana, os combates voltaram a aumentar, minando os esforços de paz.
A incerteza se estende às negociações destinadas a transformar o memorando em um acordo de paz permanente. O vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, desistiu de participar do encontro técnico na Suíça, cujos motivos não foram esclarecidos. Havia também indicações de que o principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, não compareceria. O governo suíço confirmou o adiamento das negociações, mas reafirmou sua disposição em mediar o diálogo.
O acordo enfrenta resistência de diversas frentes. Autoridades de Israel expressam preocupação com o programa nuclear iraniano e com a limitação da sua liberdade de ação militar contra o Hezbollah. Nos Estados Unidos, aliados republicanos do presidente Donald Trump questionam se a Casa Branca fez concessões excessivas ao oferecer alívio de sanções e desbloquear ativos iranianos.
O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, criticou o acordo como um ato de "desespero" de Trump, alertando que as futuras negociações nucleares não serão fáceis e que o Irã não aceitará exigências excessivas. O Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano também prometeu responder a qualquer violação do acordo.
O memorando estabelece um prazo de 60 dias para a negociação de um acordo sobre o programa nuclear iraniano, com a criação de um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões para o Irã e outros incentivos financeiros, além da possibilidade de prorrogação do cessar-fogo temporário.
No Líbano, os ataques israelenses na sexta-feira, 19/06/2026, deixaram 18 mortos e 33 feridos, segundo o Ministério da Saúde. As autoridades locais relatam que os bombardeios dificultam os trabalhos de resgate e alertam para um possível aumento no número de vítimas. Na vila de Harouf, sete pessoas morreram e várias estariam sob os escombros.
Israel justificou a ofensiva, que segundo o Exército atingiu mais de 80 alvos, incluindo centros de comando, com o argumento de violações do cessar-fogo por parte do Hezbollah. A justificativa militar aponta a eliminação de dezenas de combatentes e o ataque a infraestruturas do grupo no sul do Líbano.
Os combates mais intensos ocorreram na área estratégica da colina Ali al-Taher. Forças israelenses tentavam avançar na região quando foram alvo de uma emboscada, segundo uma autoridade de segurança libanesa. O Hezbollah reivindicou a destruição de três tanques e o ataque a tropas israelenses e a equipes de resgate.
O atual conflito na fronteira, que se intensificou em 2 de março, marca uma escalada após ataques anteriores a Israel e aos Estados Unidos. Desde então, Israel mantém tropas em uma zona de segurança no sul do Líbano para proteger seu território de ataques do Hezbollah.
A morte dos quatro soldados israelenses gerou reações extremas no governo de Israel. Ministros de extrema direita, como Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, defenderam respostas mais duras contra o Líbano. Ben-Gvir declarou que "para cada lágrima de uma mãe israelense, mil mães libanesas devem chorar" e que "todo o Líbano deveria queimar". Smotrich afirmou que "chegou o momento de abrir os portões do inferno".
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, alertou que a intensificação dos ataques mina o cessar-fogo. Desde 2 de março, os ataques israelenses já causaram 3.912 mortes no Líbano, incluindo mulheres e crianças. Do lado israelense, 32 soldados e quatro civis morreram.
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