SAÚDE FEMININA

Associação Americana do Coração alerta: perimenopausa duplica risco cardíaco, revela estudo

Sintomas da perimenopausa e riscos cardiovasculares em mulheres
Conheça os sintomas da perimenopausa

Estudo com 9.248 mulheres revela que dieta e controle do colesterol são cruciais nesta fase, oferecendo uma janela de prevenção vital. A Orlando Health também destaca o silêncio sobre o prolapso pélvico.

A American Heart Association (Associação Americana do Coração) revelou nesta terça-feira, 19 de maio de 2026, achados cruciais de um estudo que aponta que mulheres na perimenopausa enfrentam o dobro de chances de ter uma saúde cardiovascular geral mais baixa. Esta descoberta, que abrange 9.248 participantes entre 18 e 80 anos, estabelece um período de profundas mudanças hormonais como uma “janela de oportunidade” vital. Ela permite que cada mulher reavalie riscos e adote hábitos que protejam seu coração, promovendo dignidade e autonomia em sua jornada de bem-estar.

Mulheres na perimenopausa: risco maior de ter uma pontuação de saúde cardiovascular geral mais baixa — Foto: Wokandapix para Pixabay

A medição da saúde cardiovascular foi estabelecida com base no Life’s Essential 8 (“Os oito pontos essenciais da vida”), um guia criado pela própria Associação Americana do Coração. Este instrumento reúne os fatores críticos para a manutenção de um coração saudável: prática de atividade física regular, adesão a uma dieta balanceada, evitação da exposição à nicotina, garantia de um sono de qualidade, manutenção de um peso adequado, controle rigoroso da pressão arterial e dos níveis de colesterol, e gestão dos níveis de açúcar no sangue dentro do limite recomendado.

As análises detalhadas do estudo trouxeram à tona pontos alarmantes sobre a saúde das mulheres conforme avançam nos estágios reprodutivos:

  • As pontuações medianas das participantes no Life’s Essential 8 diminuíram consistentemente: de 73,3 de 100 para mulheres na pré-menopausa, caíram para 69,1 na perimenopausa, e chegaram a 63,9 na pós-menopausa.
  • Entre os oito componentes individuais, a dieta recebeu as notas mais baixas em todos os grupos e continuou a declinar com o tempo, evidenciando um desafio persistente na alimentação das mulheres.
  • Na perimenopausa, o risco de um escore geral deficiente em saúde cardiovascular dobrou em comparação com as mulheres na pré-menopausa. Elas também apresentaram 76% mais chances de ter um resultado de colesterol ruim e 83% mais probabilidades de exibir uma taxa de açúcar no sangue desfavorável.
  • As flutuações hormonais, em especial nos níveis de estrogênio, podem contribuir para o declínio da saúde cardiovascular, impactando negativamente o colesterol, a resistência à insulina, a pressão arterial e a capacidade de controle de peso.
  • Embora as pontuações de duração do sono tenham permanecido altas em todos os estágios reprodutivos, muitas mulheres na perimenopausa relataram dificuldade para dormir, sugerindo que a qualidade do descanso pode ser mais prejudicada do que a sua mera duração.

“Nossa análise destaca que a perimenopausa é o momento crítico em que o aumento do risco cardiovascular parece amplificado. Por isso é tão importante intervir logo”, afirmou a Dra. Amrita Nayak, autora principal do trabalho, reforçando a urgência de ações preventivas.

Em um panorama de saúde feminina que clama por atenção, outro estudo, este conduzido pela Orlando Health, uma organização sem fins lucrativos da Flórida, revela um dado igualmente preocupante sobre o prolapso de órgãos pélvicos. Até metade de todas as mulheres experimentará algum grau dessa condição, que ocorre quando os órgãos se projetam de forma anômala devido à perda da capacidade de sustentação muscular. O problema pode causar incontinência, constipação e a descida da bexiga ou do útero para a vagina, tornando-se debilitante devido à pressão severa e dor crônica. A pesquisa da Orlando Health aponta que uma em cada três mulheres sofre em silêncio por causa de conceitos errôneos comuns:

  • Metade desconhece que a incontinência urinária não é simplesmente uma parte normal do envelhecimento.
  • 30% acreditam que o prolapso pélvico só acontece depois de uma gravidez.
  • 31% acham que o quadro só se manifesta em mulheres na pós-menopausa ou com mais de 60 anos.
  • Uma em cada três não sabe que a cirurgia é uma opção eficaz para corrigir o problema.

O prolapso genital é uma condição multifatorial, influenciada por questões anatômicas e hormonais, além de estar associada a fatores como o número de gestações, obesidade, tabagismo, cirurgias prévias e histórico familiar. A boa notícia para as mulheres é que procedimentos reconstrutivos minimamente invasivos, utilizando suturas e telas, podem fixar o assoalho pélvico, proporcionando alívio e melhorando significativamente a qualidade de vida.

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