INOVAÇÃO NA NEUROLOGIA

Estudo comprova que derivados da Cannabis reduzem agitação em pacientes com Alzheimer

Imagem ilustrativa relacionada ao tratamento de Alzheimer e Cannabis.
Pesquisa sobre o uso de canabinoides no tratamento da demência avançada foi destaque na AAIC 2026.

Dados apresentados em 14/07/2026 durante a Conferência da Associação Internacional de Alzheimer confirmam que a combinação de THC e CBD restaura o conforto de pacientes.

A combinação de THC e CBD mostrou-se eficaz na redução da agitação em pessoas que enfrentam estágios avançados de demência, conforme revelado por resultados de um ensaio clínico de Fase 2, o Estudo LiBBY. Apresentado nesta terça-feira, 14/07/2026, durante a Conferência da Associação Internacional de Alzheimer (AAIC 2026), em Londres, o trabalho científico aponta um caminho promissor para devolver a dignidade e a paz a pacientes que frequentemente sofrem com sintomas comportamentais intensos e dolorosos.

Humanizando o cuidado no fim da vida

A agitação em quadros de demência avançada não é apenas um desafio médico; é um grito silencioso de desconforto. Quando a comunicação verbal se perde, movimentos repetitivos, hostilidade ou gritos tornam-se a única forma de expressar medo e dor. Para famílias e cuidadores, presenciar esse sofrimento é devastador. A proposta do tratamento, batizado de "Benefícios do Canabidiol e Tetraidrocanabinol no Fim da Vida", busca justamente acolher esse indivíduo, reduzindo o estresse comportamental por meio de uma intervenção farmacológica rigorosamente testada.

O estudo multicêntrico, randomizado e duplo-cego avaliou 120 participantes. A formulação oral, composta por 2 mg de THC e 100 mg de CBD, foi administrada duas vezes ao dia. Os números são expressivos: na 12ª semana, 87,2% dos pacientes tratados apresentaram melhora global, superando significativamente os 23,6% observados no grupo que recebeu placebo.

Ciência e rigor clínico

O psiquiatra Jacobo Mintzer, da Universidade da Carolina do Sul e investigador principal, ressalta que estes dados representam um avanço em uma área negligenciada pela pesquisa clínica tradicional. Diferente de benzodiazepínicos e antipsicóticos, que carregam riscos severos, a nova terapia oferece uma abordagem que equilibra a modulação do sistema nervoso central. É importante ressaltar que, por se tratar de um estudo de Fase 2, a aplicação clínica em larga escala ainda depende de novas etapas regulatórias e validações complementares.

Investimento em prevenção cognitiva

Além dos resultados do Estudo LiBBY, a Associação de Alzheimer anunciou o Estudo PROTECT-Cog. Com um aporte de US$ 100 milhões, o projeto global buscará entender como a união entre mudanças no estilo de vida e o uso de agonistas de GLP-1 pode prevenir o declínio cognitivo em idosos em situação de vulnerabilidade, reforçando o compromisso internacional com a saúde cerebral a longo prazo.

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