ALERTA DE CRISE

Armínio Fraga afirma que Previdência brasileira está "pré-falimentar" e defende reforma profunda

Armínio Fraga, economista e ex-presidente do Banco Central, falando em evento.
Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, analisa o futuro da Previdência brasileira.

Economista aponta que o sistema previdenciário brasileiro se encontra em estado crítico, comparando-o a um paciente com febre alta. Ele defende mudanças urgentes para garantir recursos à saúde e o equilíbrio fiscal do país.

O ex-presidente do Banco Central e cofundador do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps), Armínio Fraga, declarou nesta sexta-feira, 12 de junho de 2026, que a Previdência brasileira se encontra em uma situação "pré-falimentar". A forte avaliação foi apresentada durante o projeto Brasil Adiante, promovido pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Fraga defendeu a implementação de uma reforma previdenciária profunda, argumentando que ela é essencial para liberar recursos cruciais para a área da saúde. Segundo o economista, essa medida é fundamental para que o Brasil consiga lidar com o contínuo aumento da expectativa de vida da população.

"Não dá para falar de envelhecimento sem falar de Previdência. […] Onde tem espaço para se liberar recursos para o Brasil ter mais dinheiro na saúde? Na Previdência, na gestão do Estado e numa série de subsídios e desonerações que não fazem sentido, os tais gastos tributários. […] A pergunta é: quem paga? A gente sabe que, em última instância, quem paga somos nós mesmos", explicou Fraga.

O economista detalhou que os gastos previdenciários já consomem mais de 12% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e a projeção é que alcancem 16% nas próximas décadas. Ao abordar o cenário fiscal, Armínio Fraga comparou a fragilidade financeira do país à de um paciente em estado grave: "O paciente está com uma febre de 45 graus, está pagando um juro de 15% com uma inflação de 5%. Esse paciente não está bem."

Armínio Fraga também expressou sua preocupação com o desequilíbrio entre o número de trabalhadores ativos e beneficiários do sistema previdenciário, o que, em sua visão, intensifica a pressão sobre as contas públicas. Ele criticou veementemente medidas aprovadas em períodos eleitorais, que, segundo sua análise, aumentam despesas governamentais sem solucionar os problemas estruturais do sistema: "Nós estamos vendo pauta-bomba, um monte de aventuras de ano eleitoral. Não dá para continuar."

Como alternativa, o economista propôs mudanças significativas nas regras previdenciárias, incluindo o ajuste de parâmetros como a idade mínima para aposentadoria. "Não há chance de as coisas darem certo aqui se nós não fizermos uma reforma da Previdência profunda. Essa reforma precisa incluir ajustes paramétricos, idade de aposentadoria, entre outros", concluiu.

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