SAÚDE AUDITIVA
Apple Health e Michigan ligam audição a ritmo de caminhada
Estudo com 57 mil usuários de iPhone revela elo crucial. Cuidar da audição é passo vital para uma vida mais ativa.
Em uma revelação crucial para a saúde pública, a Apple e a Universidade de Michigan, por meio de um estudo abrangente com mais de 57 mil usuários de iPhone, confirmaram uma forte ligação entre a perda auditiva e a diminuição da velocidade ao caminhar. As descobertas, apresentadas no Congresso Internacional de Audiologia de 2024, evidenciam a profundidade do impacto da saúde auditiva na qualidade de vida e na autonomia individual, reforçando que cuidar da audição é fundamental para prevenir um declínio mais amplo da saúde e manter a vitalidade ao longo dos anos.
A pesquisa reforça que, ao tratar problemas auditivos, indivíduos podem desfrutar de uma vida mais longa e saudável. Esta conexão não é trivial, visto que pesquisas anteriores já associavam a perda auditiva a condições graves como demência, depressão, solidão e um risco acentuado de quedas. É a saúde em seu sentido mais amplo, que se manifesta na capacidade de cada um de viver com dignidade e segurança.
A complexidade da relação entre audição e velocidade na caminhada ainda está sendo desvendada, mas especialistas apontam múltiplos fatores. Uma das explicações reside na sobrecarga cerebral: quando a audição não funciona bem, o cérebro precisa se esforçar mais para decodificar a fala e os sons do ambiente. “Quando você não consegue ouvir bem, seu cérebro trabalha mais para interpretar a fala das pessoas”, explica Frank Lin, médico da Apple Health e analista-chave do estudo.
Além disso, problemas no ouvido interno podem afetar diretamente o equilíbrio. Uma sensação de tontura ou instabilidade naturalmente leva a um ritmo mais lento e cauteloso. A confiança na locomoção depende de pistas sensoriais, incluindo as auditivas, como o som dos próprios passos. A ausência dessas informações pode comprometer a coordenação e a velocidade, conforme apontam os profissionais de saúde. Pessoas cientes de sua perda auditiva também tendem a caminhar com mais precaução, e fatores sociais decorrentes dessa condição podem igualmente impactar o ritmo.
Mas por que a velocidade da caminhada é tão relevante? Ela serve como um indicador robusto da saúde geral de uma pessoa. Uma caminhada vigorosa e constante sinaliza que sistemas corporais essenciais — como coração, pulmões, músculos e sistema nervoso — operam em harmonia. “Podemos chamar isso de o sexto sinal vital”, enfatiza Lin, destacando a importância desse marcador além dos tradicionais pressão arterial e temperatura.
A Apple, que investiga a audição desde 2019, incluindo a exposição a sons, utilizou dados de saúde de 57.183 indivíduos que consentiram em compartilhar informações através do aplicativo Research. Os dados de velocidade de caminhada refletem o ritmo real dos participantes em suas atividades diárias, capturados sempre que estavam com o iPhone. O aplicativo Health da Apple calcula a velocidade média de caminhada e monitora variações ao longo do tempo, oferecendo uma visão detalhada da saúde motora.
Este amplo estudo, conduzido no mundo real, corroborou pesquisas anteriores: a velocidade de caminhada não apenas diminui com a idade, mas níveis mais elevados de perda auditiva estão associados a um ritmo mais lento em adultos de todas as faixas etárias. A correlação mais acentuada foi observada entre pessoas com 60 anos ou mais. “O fato de termos essas informações objetivas sobre saúde em larga escala é uma contribuição empolgante e poderosa para pesquisas adicionais em audição”, observa Carrie Nieman, professora associada de otorrinolaringologia e cirurgia de cabeça e pescoço na Universidade Johns Hopkins, que não esteve envolvida no estudo da Apple.
Para quem percebe uma desaceleração no ritmo e, após verificar a audição, descobre um problema, os aparelhos auditivos podem ser uma solução transformadora. Um estudo controlado de três anos da Universidade Johns Hopkins demonstrou que o uso de aparelhos auditivos reduziu significativamente o declínio cognitivo em idosos com risco de demência e diminuiu o risco de quedas. No entanto, “quando se trata de outras medidas de atividade física, não vimos mudanças nos resultados de melhora entre pessoas que usam aparelhos auditivos”, pondera Nieman, sugerindo que o benefício é específico para certas áreas.
O que você pode fazer
- 1 – Faça um teste de audição agora
É fundamental ter um registro basal de sua audição antes que quaisquer problemas se manifestem, aconselha Lindsay Creed, professora associada de práticas em audiologia da Associação Americana de Fala, Linguagem e Audição. “Como você vai saber se houve uma mudança na sua audição se não souber qual era sua condição antes?”, questiona. Se você possui um iPhone ou iPad com o sistema operacional mais recente e um par de AirPods Pro de segunda ou terceira geração, pode realizar um teste auditivo em casa, acessando os Ajustes dos AirPods. O aplicativo Saúde da Apple também armazena o histórico do teste, indicando o volume dos sons mais suaves que você consegue ouvir em cada ouvido. A Apple recomenda o teste anual, ou antes, se notar alterações.
- 2 – Acompanhe sua velocidade ao caminhar
Usuários de iPhone podem encontrar dados de velocidade de caminhada no aplicativo Saúde, junto com outros indicadores vitais como frequência cardíaca e oxigênio no sangue. Informações similares estão disponíveis em aplicativos de monitoramento físico de outras marcas renomadas, como Google (Fitbit), Garmin e Samsung.
- 3 – Observe a tendência
Monitore seu ritmo de caminhada por pelo menos seis meses antes de se preocupar com flutuações semanais e discuti-las com seu médico. Vários fatores temporários podem alterar a velocidade, mas uma queda consistente ao longo do tempo pode sinalizar um problema subjacente — seja ele auditivo ou de outra natureza que requer atenção.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário