SEGURANÇA E JUSTIÇA
Após morte de entregador em Moema, PF cancela porte de arma de GCM
A decisão da Polícia Federal ocorre após o subinspetor Reginaldo Alves Feitosa, da GCM, disparar contra o entregador Douglas Renato Scheeffer Zwarg durante abordagem na capital paulista.
A Polícia Federal (PF) cancelou o porte de arma do subinspetor da Guarda Civil Metropolitana (GCM) Reginaldo Alves Feitosa após o agente alvejar mortalmente o entregador Douglas Renato Scheeffer Zwarg, de 39 anos. O episódio ocorreu durante uma abordagem nas proximidades do Parque Ibirapuera, em Moema, na zona sul de São Paulo, em 10 de abril.
O cancelamento da autorização foi oficializado pela prefeitura à Polícia Civil em 18 de maio. A medida foi tomada após o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) questionar a corporação sobre o porte do agente, sua capacitação para o uso de armamento e a conformidade dos protocolos de abordagem. Documentos da GCM confirmaram que, embora o porte estivesse ativo na data do óbito e o servidor tivesse realizado curso de tiro operacional em fevereiro, a ocorrência motivou a revogação imediata pela autoridade federal.
A vida de Douglas, que trabalhava em um restaurante e realizava entregas para reforçar o orçamento familiar, foi interrompida em uma noite que deveria ser de rotina. O subinspetor Feitosa alega que o disparo foi acidental no momento em que desembarcava da viatura. Contudo, relatos conflitantes sobre a dinâmica do ocorrido e a ocultação inicial da gravidade do ferimento — tratado inicialmente como um acidente de trânsito pelos próprios agentes — mantêm o caso sob rigorosa investigação.
O inquérito policial segue em curso e, em 13 de julho, a Polícia Civil solicitou novo prazo para concluir a apuração, citando a necessidade de diligências imprescindíveis. Enquanto a família busca por respostas, o sistema Smart Sampa, que deveria auxiliar na elucidação dos fatos através de câmeras de monitoramento, tornou-se ponto de impasse. A gestão municipal sustenta a inexistência de equipamentos no local, embora investigadores tenham identificado e fotografado câmeras estrategicamente posicionadas na área, sem que houvesse retorno formal aos pedidos de imagens realizados via ofício pelo DHPP.
O subinspetor permanece afastado de suas funções e responde ao processo em liberdade, após pagamento de fiança. A Secretaria Municipal de Segurança Urbana reafirma que o caso segue sob apuração administrativa, mantendo o foco do debate público sobre os limites do uso da força e a responsabilidade institucional em abordagens operacionais.
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