TERAPIA CAR-T NO SUS
Anvisa prioriza terapia CAR-T contra câncer para incorporação no SUS
Decisão acelera o registro de tratamento inovador contra câncer. Investimento de R$ 100 milhões é anunciado para viabilizar o acesso gratuito à tecnologia que custa cerca de US$ 500 mil no exterior.
O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou nesta quarta-feira, 10 de junho de 2026, em Ribeirão Preto (SP), um investimento de R$ 100 milhões destinado à terapia CAR-T Cell. A decisão estratégica, tomada pelo Comitê de Inovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), coloca o tratamento no fluxo prioritário para incorporação no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida é de suma importância por viabilizar o acesso gratuito a uma terapia inovadora, que atualmente custa cerca de US$ 500 mil por tratamento no exterior, permitindo que pacientes brasileiros que necessitam viajar para outros países sejam tratados gratuitamente no SUS.
Resultados promissores de estudos conduzidos no Hemocentro de Ribeirão Preto, em parceria com o Instituto Butantan, revelam que aproximadamente 9 em cada 10 pacientes apresentaram redução significativa ou desaparecimento do tumor após serem submetidos à terapia CAR-T Cell. Esse avanço representa um marco na luta contra o câncer, oferecendo esperança e dignidade a pacientes com doenças agressivas e resistentes a tratamentos convencionais.

O método CAR-T Cell consiste na retirada de glóbulos brancos, especificamente linfócitos, do sangue do paciente. Em laboratório, essas células de defesa são geneticamente reprogramadas para identificar e combater células cancerígenas, como na leucemia linfoide aguda de células B e no linfoma não Hodgkin de células B. Após manipulação e expansão, as células modificadas são devolvidas à corrente sanguínea do paciente, prontas para combater o tumor.
Diego Clé, médico do Hemocentro de Ribeirão Preto e um dos principais pesquisadores do estudo, destacou a inovação do tratamento: "É um tratamento inovador, não utiliza quimioterapia, radioterapia, usa as células do próprio organismo do paciente e elas são devolvidas para combater o tumor. Esses pacientes que estão fazendo o tratamento [CarT-Cell] são pacientes que não responderam a esses tratamentos".
A terapia CAR-T Cell, que significa Chimeric Antigen Receptor T-cell (célula T receptora de antígeno quimérico), representa uma das maiores inovações da oncologia. Ela funciona através de uma complexa engenharia do sistema imunológico, onde células de defesa são modificadas para atuar especificamente contra tumores. A técnica tem demonstrado altas taxas de resposta em casos de câncer do sangue agressivos, oferecendo uma nova esperança quando outras opções terapêuticas se esgotam.
Estudos brasileiros indicam que o uso precoce da terapia CAR-T pode otimizar recursos hospitalares, prevenindo internações e tratamentos prolongados decorrentes de recidivas da doença. Um marco inicial ocorreu em 2019, com o primeiro tratamento aplicado na USP de Ribeirão Preto em um paciente com linfoma em estado grave, que obteve remissão completa dos sintomas.
Embora o Brasil tenha se tornado referência na América Latina ao aprovar terapias comerciais estrangeiras entre 2022 e 2024, o acesso permaneceu restrito devido ao alto custo e às complexas questões logísticas, que exigiam o envio de células para fabricação nos Estados Unidos ou na Europa. Para contornar essa situação e nacionalizar a tecnologia, o Hemocentro de Ribeirão Preto, a Universidade de São Paulo e o Instituto Butantan uniram esforços em pesquisas locais. Com testes clínicos bem-sucedidos, alcançando até 87,5% de eficácia em pacientes com leucemia e linfoma, o próximo passo é o pedido de registro definitivo na Anvisa, abrindo caminho para a disponibilização no SUS.
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