RISCO À SAÚDE
Anvisa investiga caso de menina intoxicada por detergente suspenso
Criança de 10 anos foi internada em Natal com sintomas graves; Lotes do produto Ypê foram suspensos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária entre julho e dezembro de 2025.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga, junto às autoridades de saúde do Rio Grande do Norte, a conexão entre a internação de uma menina de 10 anos em Natal e o uso de um detergente Ypê, que integra um lote suspenso pela própria agência. A criança, internada nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026, manifestou sintomas graves como coceira intensa, manchas pelo corpo, e dificuldades para respirar e andar, levantando um alerta crucial sobre a segurança dos produtos de limpeza e o risco de contaminação por microrganismos.
Os sintomas da menina começaram a se manifestar há cerca de uma semana, na quarta-feira, 6 de maio de 2026. Segundo o padrinho da criança, Alisson da Silva, a condição evoluiu rapidamente: “Quarta-feira passada, 8 dias atrás, ela veio apresentando intoxicação. Até a segunda-feira foram cinco entradas no hospital”, relatou. A família começou a suspeitar do detergente após a menina, que tinha um pequeno corte na mão, usar o produto no dia em que os primeiros sinais surgiram. “Se sai uma publicação que está acontecendo uma coisa que não é normal, já foi avisado pela Anvisa que estava com uma bactéria, a minha afilhada usa dele e começa a aparecer sintomas, então dá a entender que seja do sabão”, ponderou Alisson.
A criança recebeu os primeiros socorros em diferentes unidades de saúde antes de ser internada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Pajuçara, na Zona Norte de Natal, nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026. Ela permaneceu na UPA até a tarde desta quarta-feira, 13 de maio de 2026, quando foi transferida, via sistema estadual de regulação, para o Hospital Infantil Varela Santiago.
A mãe informou que o estado de saúde da menina é estável e que ela já recuperou a capacidade de andar. Os médicos identificaram uma infecção bacteriana no organismo da paciente. Enquanto a recuperação avança, a família aguarda ansiosamente pelos resultados dos exames laboratoriais, que deverão esclarecer a origem precisa dos sintomas. “O apelo que eu faço é que descubram o problema da minha filha. Eu não quero saber se é detergente, seja lá o que for, não quero saber o que foi que aconteceu, da onde veio essa bactéria”, desabafou o pai, Lee Clarean da Silva, em um pedido emocionado por respostas.
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Natal confirmou, em nota, que todos os procedimentos de acolhimento na UPA Pajuçara foram realizados. A pasta acrescentou que a paciente foi inserida no sistema de regulação do Governo do Estado e transferida para o Hospital Infantil Varela Santiago para exames mais aprofundados.
O Departamento de Vigilância em Saúde (DVS) da SMS iniciou a investigação do caso através do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS Natal). O órgão aguarda os resultados dos exames laboratoriais da paciente para confirmar ou refutar a ligação dos sintomas com o detergente. A SMS explicou que não houve necessidade de recolher amostras do produto usado pela família, pois ele já faz parte de um lote classificado com orientação de risco pela Anvisa.
A Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) acompanha o caso e confirmou que “o caso está em processo de investigação pela vigilância epidemiológica”. A Sesap informou que a fiscalização de produtos suspeitos na capital é de responsabilidade da Vigilância Sanitária Municipal, enquanto nos demais municípios, cabe à Subcoordenadoria de Vigilância Sanitária (Suvisa). Até esta quarta-feira, 13 de maio de 2026, a Sesap declarou que não houve apreensão de produtos do lote sob suspeita da Anvisa no Rio Grande do Norte. A avaliação técnica de risco sanitário desses produtos foi conduzida pela Anvisa, em colaboração com o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), e está detalhada na Resolução 1.834/2026, que lista os produtos e lotes considerados contaminados.
A Unilever, por sua vez, comunicou à Anvisa a detecção da bactéria Enterobacter gergoviae em lotes de detergentes Ypê, fabricados pela Química Amparo, responsável pela marca. A multinacional afirmou que a contaminação foi identificada em testes internos de produtos utilizados em suas fábricas e distribuídos em São Paulo. A empresa ressaltou que o microrganismo pode causar irritações em indivíduos com imunidade comprometida e que os testes são conduzidos por laboratórios independentes.
Diante da notificação, a Anvisa determinou o recolhimento de lotes de detergentes produzidos entre julho e dezembro de 2025. A Química Amparo, fabricante, defendeu que os produtos analisados não representaram risco à saúde e argumentou que a presença da bactéria não implica, necessariamente, na contaminação dos itens comercializados. A empresa também garantiu que mantém um monitoramento contínuo de qualidade e segurança de seus produtos.
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