PRODUTOS ILEGAIS EM XEQUE
Anvisa desmente testes que afirmam equivalência de canetas de emagrecimento contrabandeadas
Agência Nacional de Vigilância Sanitária esclarece que análises não comprovam segurança e eficácia de canetas apreendidas. Riscos à saúde em foco.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desmentiu, nesta terça-feira, 07/07/2026, a circulação de informações que afirmam a comprovação de testes laboratoriais sobre a equivalência de canetas de emagrecimento contrabandeadas com medicamentos registrados e autorizados para venda no Brasil. A decisão é um alerta crucial sobre os riscos à saúde pública associados a produtos ilegais.
Segundo o órgão, exames realizados pelo Centro de Informação e Assistência Toxicológica da Universidade Estadual de Campinas (CIATox/Unicamp) apenas identificaram a presença do princípio ativo tirzepatida em medicamentos apreendidos. No entanto, esses testes não são suficientes para atestar que os produtos ilegais possuam o mesmo desempenho dos medicamentos regularizados.
A Anvisa explica que a equivalência de medicamentos, essencial para garantir segurança e eficácia, só pode ser confirmada por meio de rigorosos estudos de bioequivalência. Estes estudos são conduzidos em centros credenciados e avaliam a absorção pelo organismo, a concentração na corrente sanguínea, o tempo de permanência no corpo e se o produto apresenta o mesmo efeito terapêutico dos registrados.
A agência ressaltou que o CIATox não é um centro de bioequivalência credenciado nem integra a Rede Brasileira de Laboratórios Analíticos em Saúde. Portanto, as análises realizadas pela instituição não permitem concluir sobre a segurança ou eficácia das canetas contrabandeadas. Aspectos cruciais como a presença de impurezas, contaminantes, metais pesados, esterilidade e possíveis produtos de degradação também não foram verificados.
Adicionalmente, os fabricantes dos produtos ilegais não passaram por inspeções para obter a certificação de Boas Práticas de Fabricação (BPF), um requisito indispensável para medicamentos comercializados no país. A Anvisa também não teve acesso aos laudos e à metodologia das análises realizadas pela Unicamp, o que reforça a falta de transparência e controle sobre esses itens.
Diante deste cenário, a Anvisa reforça que não há comprovação científica que sustente a equivalência das canetas de emagrecimento contrabandeadas com os medicamentos registrados no Brasil. A agência alerta a população sobre os perigos inerentes à compra e ao uso de produtos sem autorização sanitária, que podem comprometer a dignidade e a saúde dos cidadãos.
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