NOVO MEDICAMENTO

Anvisa autoriza Ozivy, a primeira caneta nacional de semaglutida após fim da patente

Anvisa aprova primeira caneta nacional de semaglutida após fim da patente no Brasil.
Anvisa aprova primeira caneta nacional de semaglutida após fim da patente no Brasil.

Medicamento Ozivy, produzido pela EMS, chega ao mercado como alternativa sintética à semaglutida e promete ser mais acessível. Outras cinco versões sintéticas e uma biológica seguem em análise.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu luz verde para a Ozivy, a primeira caneta nacional à base de semaglutida, após o vencimento da patente da substância no Brasil em março deste ano. A decisão, tomada pela Anvisa, visa ampliar o acesso a tratamentos para diabetes tipo 2 em adultos, oferecendo uma opção terapêutica produzida nacionalmente pela farmacêutica EMS. Esta aprovação é crucial para milhões de brasileiros que dependem de medicamentos à base de semaglutida, prometendo maior acessibilidade e atendendo a uma demanda reprimida no mercado.

A semaglutida é o princípio ativo conhecido por sua eficácia em tratamentos de diabetes e obesidade, presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy, desenvolvidos pela dinamarquesa Novo Nordisk. Contudo, o Ozivy se diferencia por ser a primeira semaglutida sintética autorizada para comercialização no País, diferentemente dos produtos biológicos já disponíveis. Segundo a Anvisa, trata-se de uma versão sintética de um medicamento originalmente biológico registrado na agência, produzida por síntese química.

Anvisa aprova primeira caneta nacional de semaglutida após fim da patente no Brasil.
Anvisa aprova primeira caneta nacional de semaglutida após fim da patente no Brasil.

Apesar de compartilhar o mesmo princípio ativo, o Ozivy não se enquadra como genérico, pois a legislação brasileira impede que medicamentos biológicos recebam essa classificação. Ele será registrado como "medicamento novo", na categoria de análogo sintético de um produto biológico. O processo de registro foi iniciado pela EMS em 2023 e passou por rigorosa análise técnica de eficácia, segurança e qualidade pela Anvisa. Outras cinco formulações sintéticas e uma biológica da semaglutida ainda estão sob avaliação.

A expectativa da EMS é que o Ozivy chegue às farmácias em até 30 dias, aguardando a definição do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS, assegurou que o novo medicamento terá um custo significativamente menor que as canetas de semaglutida atualmente no mercado. "O produto vai ser bem mais acessível. Estamos muito com um olhar de atender a uma demanda reprimida que existe", declarou Sanchez, estimando uma redução de cerca de 30% em relação aos preços atuais, que podem variar entre R$ 800 e R$ 1.000 para o Ozempic de 1 mg, antes da incidência do ICMS.

Para facilitar o acesso nos primeiros meses, a EMS planeja implementar programas de descontos. A farmacêutica visa combater o mercado paralelo e o uso de produtos manipulados irregularmente, que atualmente suprem parte da demanda. A produção do Ozivy ocorrerá em Hortolândia, São Paulo, com capacidade para fabricar até 40 milhões de canetas anualmente. A empresa projeta vender mais de 1 milhão de unidades no primeiro ano, com faturamento estimado acima de R$ 500 milhões, disponibilizando cerca de 350 mil unidades inicialmente.

A aprovação do Ozivy sinaliza uma nova era para o mercado brasileiro de semaglutida, impulsionada pelo fim da patente e pela entrada de novos concorrentes. Tradicionalmente, medicamentos inovadores possuem 20 anos de proteção patentária. Com o fim desse período, outros laboratórios podem desenvolver versões similares, desde que aprovadas por órgãos reguladores como a Anvisa, o que especialistas preveem que levará a uma redução expressiva nos preços.

Paulo Miranda, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), expressou a expectativa do setor pela ampliação da concorrência e, consequentemente, pelo barateamento dos medicamentos. "A expectativa maior que temos agora com essas aprovações da Anvisa... é a precificação. Que esse movimento de ampliação da concorrência se consolide como maior acesso à medicação com redução dos custos", afirmou.

Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (PróGenéricos) indicam que genéricos podem ser até 60% mais baratos que os de referência. Estudos da UnB e UFSC apontam que similares costumam ter preços cerca de 15% inferiores. Embora o Ozivy seja um análogo sintético e não um genérico formal, a expectativa de redução de preços é alta devido à nova concorrência.

O Ozivy foi aprovado para controle de diabetes tipo 2, como adjunto à dieta e exercícios. Pode ser usado isoladamente quando a metformina é inadequada ou em combinação com outros antidiabéticos. A caneta será apresentada em solução injetável semanal, com concentração de 1,34 mg/ml. Uma diferença notável em relação ao Ozempic é a necessidade de refrigeração do Ozivy (entre 2°C e 8°C) antes e depois do uso, enquanto o Ozempic pode ser mantido em temperatura ambiente por até seis semanas.

Assim como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, o Ozivy pertence à classe dos agonistas de GLP-1. Esses medicamentos simulam a ação de um hormônio que regula a glicose e a saciedade. No pâncreas, aumentam a produção de insulina; no sistema digestivo, retardam o esvaziamento gástrico; e no cérebro, promovem a sensação de plenitude, auxiliando na redução do apetite e na perda de peso. A EMS planeja solicitar autorização para o uso do Ozivy no emagrecimento, algo já comprovado em estudos clínicos com semaglutida em doses mais altas.

A Anvisa ressaltou que o registro de versões sintéticas da semaglutida representa um avanço técnico significativo, posicionando o Brasil entre os pioneiros globais na aprovação deste tipo de medicamento.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário