DECISÃO PÕE FIM

Aneel homologa usinas do LRCap 2026 após Justiça negar suspensão

Sede da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) homologa resultados de leilão.

Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirma contratação de 19,5 GW de potência, apesar de contestações e investigações do TCU e MPF.

A diretoria da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) homologou por unanimidade nesta quinta-feira, 21/05/2026, os resultados do LRCap (Leilão de Reserva de Capacidade) do ano de 2026. A decisão encerra uma etapa crucial do processo, mesmo diante de questionamentos do Ministério Público Federal (MPF), ações judiciais e investigações em andamento no Tribunal de Contas da União (TCU).

A agência comunicou que oficiará o TCU sobre a deliberação. Com a homologação, ficam confirmados contratos para geração de cerca de 19,5 GW de potência, com duração de até 15 anos, o que representa um encargo estimado em mais de R$ 515 bilhões para os consumidores.

O diretor Fernando Mosna, relator do processo, justificou que não havia impeditivos jurídicos, judiciais, administrativos ou de controle externo que barrassem a homologação. Ele ressaltou que, apesar das investigações, nenhuma decisão judicial ou medida cautelar do TCU determinou a suspensão dos leilões.

"Se o Tribunal de Contas da União pretendesse impedir a prática desses atos, poderia fazê-lo por meio de medida cautelar específica, o que não ocorreu", declarou Mosna em seu voto. Ele acrescentou que postergar a homologação sem determinação formal dos órgãos de controle poderia gerar insegurança jurídica e comprometer o planejamento do setor elétrico.

Durante a reunião, o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, esclareceu que as contestações apresentadas por órgãos de controle e entidades não se referem diretamente à atuação da agência reguladora. Segundo Sandoval, as discussões sobre demanda de potência, preços-teto e diretrizes do certame são atribuições do Ministério de Minas e Energia (MME), da EPE e do planejamento setorial, e não da Aneel.

A sessão contou com manifestações contrárias à homologação. A advogada Fernanda de Paula, representante da Abraenergias (Associação Brasileira dos Sindicatos e Associações Representantes das Indústrias de Energias), argumentou que irregularidades precisam ser sanadas antes da continuidade do leilão. Ela criticou a elevação dos preços-teto e a ausência de justificativa para as mudanças, além do impacto financeiro estimado aos consumidores.

Fernanda de Paula também citou "claros indícios de irregularidade" e a pendência da análise do TCU, defendendo que a Aneel aguardasse a manifestação definitiva da corte de contas. O Inel (Instituto Nacional de Energia Limpa) e a Abividro (representante do setor industrial) também expressaram preocupações com o desenho do leilão, a exclusão de tecnologias como armazenamento em baterias e os impactos tarifários.

Apesar das objeções, Mosna reiterou que decisões recentes da Justiça Federal reforçaram a continuidade do processo. Ele mencionou sentenças da Justiça Federal do Distrito Federal, do Ceará e do TRF-1 que negaram pedidos liminares para suspender os leilões. No caso específico do leilão de óleo e biodiesel, o diretor destacou deságios superiores a 50%, indicando competitividade efetiva.

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