TELEMARKETING ABUSIVO: CHEGA AO FIM?

Anatel prorroga até outubro de 2028 medida para bloquear chamadas de telemarketing indesejadas

Anatel prorroga prazo da medida que permite ao consumidor bloquear chamadas indesejadas de telemarketing
Anatel prorroga prazo da medida que permite ao consumidor bloquear chamadas indesejadas de telemarketing

A Anatel estendeu a proibição para empresas que realizam mais de 100 mil chamadas curtas por dia. A medida, que terminaria em 2026, agora vale até outubro de 2028.

A Anatel decidiu prorrogar até outubro de 2028 a medida que permite o bloqueio de empresas de telemarketing que realizam chamadas indesejadas e excessivas. A decisão, anunciada nesta quinta-feira, 04/06/2026, visa combater o assédio telefônico e proteger a dignidade dos consumidores. O prazo original da regulamentação terminaria em 2026, mas a continuidade da prática abusiva motivou a extensão.

A persistência de ligações silenciosas e insistentes, que incomodam a rotina de muitos brasileiros, foi o principal motivo para a Anatel estender a eficácia da medida. A regulamentação impede que empresas responsáveis por mais de 100 mil chamadas curtas diariamente, e que têm mais de 85% dessas ligações encerradas em menos de seis segundos, realizem novas chamadas por um período de 15 dias.

O impacto dessa ação na vida dos cidadãos é significativo. Nos últimos quatro anos, a Anatel estima que cerca de 247 bilhões de chamadas indesejadas deixaram de chegar aos consumidores, graças às ações de fiscalização. Essa prorrogação garante a continuidade da proteção contra o telemarketing abusivo, permitindo que os consumidores tenham mais tranquilidade em suas comunicações.

Cristiana Camarate, superintendente de Relações com Consumidores da Anatel, destacou o sucesso da iniciativa: "Já bloqueamos mais de mil empresas que descumpriram esta regra. Mas o que a gente observa é que há também uma quantidade grande de empresas que têm buscado se adaptar e, quando elas têm a informação de que serão bloqueadas, elas podem inclusive procurar a Anatel e assinar conosco um termo de compromisso dizendo que adotarão melhores práticas".

A Associação Brasileira de Telesserviços reconhece a importância do combate aos abusos, mas ressalta que a falta de identificação clara das empresas que realizam as chamadas dificulta a ação. Cláudio Tartarini, assessor jurídico da entidade, afirmou: "Você não sabe quem é, então não dá para combater se você não souber quem é. Então, a pessoa vai deixar de atender o telefone. Então, isso é de interesse de todo consumidor e é interesse regulatório da sociedade e interesse também das empresas que esses abusos sejam combatidos".

A decisão da Anatel, ao prorrogar essa medida, reafirma o compromisso com a defesa dos direitos dos consumidores, buscando um equilíbrio entre a atividade de telemarketing e o direito à privacidade e à tranquilidade dos cidadãos. A expectativa é que a continuidade da fiscalização e a possibilidade de bloqueio levem a um setor de telesserviços mais ético e respeitoso.

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