CONECTIVIDADE NO PAÍS
Anatel garante sinal de celular em rodovias e áreas remotas do BR
Leilão estratégico gera R$ 2 bilhões em investimentos para conectar 864 localidades e 6.570 km de estradas federais.
Nesta segunda-feira, 04 de maio de 2026, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) concluiu o aguardado leilão da faixa de frequência de 700 MHz, que resultou na arrecadação de R$ 23 milhões em outorga para a União. Contudo, o verdadeiro objetivo do certame vai muito além do valor monetário: o foco é a inclusão digital e a segurança dos brasileiros, através da ampliação do sinal de celular em áreas rurais, remotas e em milhares de quilômetros de rodovias federais. Este movimento estratégico assegura um investimento estimado em R$ 2 bilhões por parte das provedoras de sinal, prometendo transformar a realidade de conectividade para milhões de cidadãos e motoristas em todo o país.
A faixa de 700 MHz é considerada estratégica para a expansão da conectividade devido à sua capacidade de percorrer longas distâncias e atravessar barreiras físicas com maior facilidade do que outras frequências. Por essa razão, é ideal para cobrir regiões de difícil acesso, onde a infraestrutura é escassa e a construção de antenas é mais onerosa. A agência colocou em disputa subfaixas de frequência que vão de 708 MHz a 718 MHz e de 763 MHz a 773 MHz.
A Brisanet destacou-se como a principal vencedora do leilão, arrematando dois contratos que totalizam R$ 8,13 milhões para fornecer serviços de conexão no Nordeste e Centro-Oeste do país. Grandes nomes das telecomunicações, como Tim e Claro, apresentaram propostas, mas não puderam competir na primeira rodada, onde todos os lotes foram rapidamente arrematados. O edital do leilão priorizou operadoras que já possuíam autorização de uso de radiofrequência na faixa de 3,5 GHz em nível regional, visando fortalecer os provedores locais.
Conheça a lista completa dos vencedores do certame:
- Lote 01 – Região Norte: Amazônia Serviços Digitais, por R$ 7 milhões;
- Lote 02 – Região Nordeste: Brisanet, por R$ 6,28 milhões;
- Lote 03 – Região Centro-Oeste: Brisanet, por R$ 1,85 milhão;
- Lote 04 – Região Sul: Unifique, por R$ 3,42 milhões;
- Lote 05 – Região Sudeste (RJ, ES, MG): IEZ! Telecom, por R$ 4,43 milhões.
O modelo de leilão adotado pela Anatel não teve como principal meta a arrecadação federal. Em vez disso, os contratos impostos às empresas vencedoras exigirão compromissos diretos de investimento em infraestrutura e na modernização das redes de telecomunicações. Era previsto que os lances financeiros fossem mais baixos em comparação com o vultoso investimento esperado, uma vez que as áreas ofertadas, por sua natureza rural e remota, não são as mais lucrativas economicamente para as grandes operadoras.
Os contratos arrematados abrangem a oferta de serviços em 864 localidades, com um foco especial em áreas rurais e distantes. Além disso, a licitação prevê a ampliação do sinal em aproximadamente 6.570 km de rodovias federais, espalhadas por 16 Estados brasileiros.
A iniciativa visa eliminar as chamadas “zonas de silêncio” em importantes eixos rodoviários como as BRs 101, 116, 135, 163, 242 e 364. O propósito é fundamental: garantir que o transporte de cargas e passageiros nessas vias conte com sinal de voz e dados ininterrupto, o que não só otimiza a logística, mas também se mostra vital para o atendimento a emergências e a segurança de todos que transitam por esses caminhos.
O ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filho, enfatizou a importância da iniciativa durante a abertura do certame, na sede da Anatel, em Brasília. “A infraestrutura das comunicações dos grandes centros já está resolvida. Nosso papel como governo agora é garantir que a gente amplie a capilaridade para o interior do Brasil. Só com a força do governo a gente vai conseguir levar a conectividade para as áreas mais remotas do Brasil”, declarou o ministro. Segundo o presidente da agência, Carlos Baigorri, a implantação da infraestrutura contratada deverá ter início no final deste ano, com prioridade para a BR-101, uma das artérias rodoviárias mais importantes do país.
Vale lembrar que o processo do leilão enfrentou um breve impasse judicial. Originalmente agendado para a manhã de 30 de abril, o certame foi suspenso por uma liminar da 10ª Vara Cível Federal de São Paulo. A decisão veio após um mandado de segurança coletivo apresentado pela TelComp (Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas), que contestava restrições à formação de consórcios e a exigência de que participantes da primeira rodada já tivessem autorização de uso de radiofrequência na faixa de 3,5 GHz em nível regional. No entanto, no mesmo dia, a desembargadora Mônica Nobre, do TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), derrubou a liminar, permitindo a retomada do leilão. A desembargadora considerou que o edital não impedia consórcios de forma geral e que as restrições iniciais visavam uma "ampliação progressiva" de participantes nas rodadas subsequentes, garantindo a competitividade.
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