CONECTIVIDADE AMPLIADA

Anatel conclui leilão de 700 MHz e acelera expansão regional

Anatel conclui leilão de 700 MHz e acelera expansão regional

Operadoras regionais arrematam lotes para levar sinal a 6,5 mil km de rodovias em 16 estados, com investimentos de milhões.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) concluiu, nesta segunda-feira, 04/05/2026, o aguardado leilão das sobras da faixa de 700 MHz, um movimento estratégico para expandir a conectividade móvel pelo país. A decisão, que prioriza o alcance e a inclusão digital em vez da arrecadação, representa um passo crucial para levar acesso à internet e telefonia a milhões de brasileiros em regiões desassistidas, transformando a vida de comunidades rurais e em trechos rodoviários.

Quatro operadoras regionais – Amazônia 5G, Brisanet, Unifique e IEZ! – arremataram os lotes disponíveis, demonstrando o vigor do mercado local e o compromisso com a democratização do acesso à comunicação.

A Amazônia Serviços Digitais garantiu o lote 1, com uma proposta robusta de R$ 7.010.114,86, reforçando sua presença e potencial de atendimento na vasta região da Amazônia.

A Brisanet, por sua vez, levou para casa dois lotes estratégicos: o lote 2, com um lance de R$ 6.275.100, e o lote 3, por R$ 1.853.280 milhão, consolidando sua expansão e capacidade de oferta de serviços.

O lote 4 foi arrematado pela Unifique, com uma oferta de R$ 3.418.493,29, enquanto o lote 5 ficou com a IEZ!, que apresentou um lance de R$ 4.430.492,86, completando a distribuição das faixas.

A licitação abrangeu autorizações para uso das subfaixas de 708 MHz a 718 MHz e de 763 MHz a 773 MHz, vitais para a prestação de serviço móvel de alta qualidade. Essa faixa é reconhecida por sua capacidade de longo alcance, facilitando a implantação de cobertura em áreas rurais, remotas e de difícil acesso, onde a comunicação ainda é um desafio.

Importante destacar que o edital impõe às empresas vencedoras a execução de compromissos claros de conectividade. A Anatel estima que essa iniciativa levará sinal a aproximadamente 6,5 mil quilômetros de rodovias federais, espalhadas por 16 estados, com foco especial nas chamadas “zonas de silêncio” – trechos onde a telefonia ainda não alcança.

Este leilão foi estruturado sob um modelo não arrecadatório, o que significa que a prioridade não era gerar receita para a União. Em vez disso, o objetivo principal foi converter o valor econômico da faixa em investimentos obrigatórios em infraestrutura, garantindo que os recursos sejam diretamente aplicados na melhoria e expansão dos serviços.

O certame, que chegou a ser suspenso na semana passada devido a questionamentos sobre suas regras de participação, foi retomado e concluído após uma decisão do TRF-3 autorizar a continuidade da licitação, reafirmando a solidez do processo.

*Sob supervisão de Daniel Rittner

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