HOMICÍDIO NA ESCOLA

Anápolis: Juiz sentencia mãe e filho por morte de Nicollas Serafim

Juiz dá lição em mãe e filho condenados por morte de estudante, em Anápolis
O juiz Fernando Augusto Chacha durante a leitura da sentença de mãe e filho, em Anápolis. — Foto: Reprodução/ TV Anhanguera

Condenados a décadas de reclusão e indenizações de R$ 150 mil por vida perdida. Defesas apelam da decisão de 1ª instância.

O Tribunal do Júri de Anápolis, em uma sessão que se estendeu por mais de 12 horas nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, condenou Maria Renata de Merces Rodrigues e seu filho, Kaio Rodrigues Matos, por homicídio qualificado e tentativa de homicídio. A decisão impõe décadas de prisão e o pagamento de indenizações pela morte do estudante Nicollas Serafim, de apenas 14 anos, ocorrida em 20 de fevereiro de 2024. Ao proferir a sentença, o juiz Fernando Augusto Chacha fez um apelo à reflexão, sublinhando o impacto devastador de ações impensadas na vida de todos os envolvidos.

Juntos, mãe e filho receberam penas que somam quase 70 anos de reclusão. Maria Renata foi sentenciada a 40 anos, enquanto Kaio Rodrigues Matos terá que cumprir 29 anos e 7 meses. Além das severas condenações à prisão em regime fechado, a família de Nicollas Lima Serafim receberá R$ 150 mil em indenização, e os outros dois adolescentes feridos na briga receberão R$ 75 mil cada, um reconhecimento doloroso do sofrimento causado.

A comoção tomou conta do plenário quando o magistrado Fernando Augusto Chacha dirigiu-se aos condenados, salientando a irreversibilidade de suas escolhas. "Se vocês tivessem pensado dez segundos a mais, ninguém estaria aqui hoje. Estariam todos vocês felizes, em casa. A vítima, réus...", expressou o juiz, evidenciando o abismo entre um momento de fúria e uma vida inteira de consequências.

Defesas anunciam recursos

Apesar do veredito, as decisões ainda não são definitivas. As defesas de Maria Renata e Kaio Rodrigues já anunciaram que irão recorrer. Os advogados Saulo Silva e Hélio Aquino, que representam Maria Renata, consideraram o julgamento justo do ponto de vista processual, mas manifestaram discordância com a condenação e com a dosagem da pena, apontando a necessidade de ajustes. Similarmente, Victor José, que defende Kaio Rodrigues, argumenta que circunstâncias relevantes não foram adequadamente ponderadas na fixação da pena, especialmente no que se refere à sua dosimetria, e buscará a reavaliação nas instâncias superiores.

O dia da tragédia

Nicollas Lima Serafim tinha apenas 14 anos quando foi fatalmente atingido na porta do Colégio Estadual Leiny Lopes de Souza, no Parque Calixtopolis, em Anápolis, por volta das 12h15 de 20 de fevereiro de 2024. Câmeras de segurança registraram a chegada de Maria Renata, com um martelo em mãos, e Kaio, acompanhados de outro filho dela. A sequência de eventos mostrou Maria Renata confrontando um grupo de estudantes antes que Kaio e seu irmão iniciassem uma briga generalizada.

Durante o confronto, Maria Renata também se envolveu, usando o martelo para ameaçar os jovens. Os agressores atingiram três estudantes, resultando na morte de Nicollas e deixando outros dois adolescentes, de 12 e 15 anos, gravemente feridos. Eles foram socorridos no Hospital Estadual de Anápolis Dr. Henrique Santillo (Heana).

Inicialmente, Kaio Rodrigues alegou ter agido em legítima defesa da mãe e do irmão, que estariam sendo agredidos. No entanto, o delegado Wllisses Valentim, responsável pelo caso na época, indicou que a briga foi um desdobramento de desentendimentos ocorridos em um jogo online no dia anterior, culminando em um encontro marcado para "resolver as diferenças" na saída da escola. A mãe, Maria Renata, foi condenada também por corrupção de menores, acusação da qual Kaio foi absolvido.

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